Posts on Feb 2018

Programação Miami Summit 2018

05/03 (segunda)

  • Abertura – Governança e seus desafios –  Eduardo Valério (GoNext Family Business ) – 9 – 9:40 a.m.
  • Wealth Planning Issues in the US – Armando Ureña e Blas Cueto – 09:40 – 10:40 a.m.
  • Coffee break – 10:40 – 11 a.m.
  • Interação entre os participantes – 11 – 11:30 a.m.
  • Case Grupo AENA – Tânia Vianna (AENA – Administradora Educacional Novo Ateneu) – 11:30 – 12 a.m.
  • Almoço – 12 a.m. – 1: 40 p.m.
  • Mercado imobiliário americano – Luis Carlos Boner (Call Properties LLC) – 1:40 – 2:10 p.m.
  • Processo de imigração para os Estados Unidos – Reza Rahbaran  e Swellen Tasso (Rahbaran Law Firm) – 2:10 – 3 p.m.
  • Case Avvio Telecom – Dionísio Freire (Avvio Telecom) –  3 – 3:40 p.m.
  • Coffee break – 3:40 – 4 p.m.
  • Aspectos legais de negócios nos EUA – Bruna Barbosa (Barbosa Legal) – 4 – 4:40 p.m.
  • Ambiente de negócios nos EUA – Relações com Stakeholders   – Leonardo Antunes (Broadspan Capital) – 4:40 – 6:05 p.m.
  • Coquetel – 6:05 p.m.

 

06/03 (terça)

  • Abertura – Eduardo Valério (GoNext Family Business ) – 8:50 – 9 a.m.
  • Como viver nos EUA  – Luis Carlos Boner (Call Properties LLC) – 9 – 9:45 a.m.
  • Gestão de risco – Roberto Martins  (Martins Rillo Advogados) – 9:45  – 10:15 a.m
  • Coffee break – 10:15  – 10:40 a.m.
  • Os desafios e oportunidades de se construir um portfólio global e diversificado  Victor Vieti e Ana Claudia Jardim Silva – 10:40 – 11:20 a.m.
  • Case empresarial Grupo Gulin –Maurício Gulin (Grupo Gulin) –   11:20 – 12 p.m.
  • Encerramento – Eduardo Valério (GoNext Family Business ) – 12– 12:30 p.m.
  • Almoço – 12:30 p.m.
Programa preliminar sujeito à alteração

Qual é o melhor momento para implantação da governança corporativa na empresa familiar?

A implantação de um processo de governança corporativa na gestão de empresas familiares nem sempre é iniciada com a antecedência necessária, podendo trazer consequências negativas para o negócio a longo prazo. De acordo com dados recentes da PricewaterhouseCooper (PwC), empresa de auditoria e consultoria, 54% das empresas familiares brasileiras não têm um plano de sucessão em andamento. Um cenário preocupante, mas que poderia ser contornado com medidas simples, que nem sempre são aplicadas na rotina administrativa.

Para o diretor-presidente da GoNext, Eduardo Valério, a governança corporativa torna-se essencial nas empresas que já estão na segunda ou terceira geração de sócios, embora o recomendável seja a implantação do processo desde a fundação. “No início de cada negócio é preciso estabelecer normas e acordos entre os diferentes sócios, principalmente no que diz respeito aos pilares fundamentais da governança: a relação dos gestores com a empresa, com os familiares e com os sócios. Numa empresa familiar é muito importante discernir esses tópicos pelo bem do negócio”, afirma Valério.

O maior desafio, segundo ele, é fazer com que os fundadores e os familiares tenham a consciência de que precisam entender melhor a dinâmica familiar dentro da empresa e, principalmente, que tratar de negócios é diferente de tratar da família. Ainda de acordo com o levantamento da Pwc, apenas 19% das empresas familiares no Brasil possuem um planejamento sucessório estruturado. Para Valério, “em uma empresa familiar, o quanto antes se começar a pensar nos pilares da governança, maiores serão os benefícios para a empresa, que terá melhor desempenho e, consequentemente, longevidade”.

Nesse cenário, a governança corporativa pode auxiliar os gestores a ampliarem a visão do negócio, focando não só nas consequências, mas, principalmente, nas causas que podem levar até elas. Esse diagnóstico, de acordo com Valério, pode variar de empresa para empresa, mas, via de regra, traz resultados comuns a todas elas, como melhoria na qualidade de gestão, maior alinhamento dos sócios com relação à perspectiva do negócio e, ainda, a manutenção de um controle mais rigoroso dos processos internos, com a geração de relatórios e indicadores que permearão o modo de operação como um todo.

Atualmente, dos mais de 100 projetos de governança corporativa desenvolvidos pela GoNext para empresas familiares, mais de 90% tem seus órgãos funcionando e os instrumentos implantados e seguidos corretamente. Isso, segundo Valério, é resultado de um trabalho com a definição de objetivos claros e acompanhamento constante. “Trabalhamos com um modelo de atuação que traz, pelo menos, 11 etapas na implantação do processo de governança corporativa. Nele podemos prever, por exemplo, a estruturação do conselho de família, dos acionistas, de relatórios gerenciais e agenda periódica de reuniões. Cada etapa tem focos específicos e é mensurada de forma individual, dando aos gestores um nível maior de organização e conhecimento sobre o próprio negócio”, explica Valério.

Sócios-fundadores e novas gerações: quando essa relação se torna um desafio?

Por Eduardo Valério

 

A implantação da governança corporativa na empresa familiar nem sempre é fácil e revela-se desafiadora na medida em que as gerações vão passando e, com elas, surgem novas visões e maneiras de administrar. Isso se torna ainda mais evidente quando se verifica a presença do sócio-fundador, cujos propósitos e valores estão enraizados ao próprio DNA da empresa familiar e, por isso, o que é “novidade” muitas vezes não tem espaço na administração. Sendo assim, a inclusão de instrumentos de governança, tais como: definição do perfil de competências para os cargos-chave na empresa e redação do acordo de família (onde são estabelecidos os critérios para a sucessão e o plano de desenvolvimento do fundador antes, durante e principalmente pós-passagem do bastão), é essencial, principalmente no que se refere à transição societária. Afinal, é a partir deste processo que a empresa familiar adquire a solidez necessária para garantir a continuidade dos empreendimentos.

À frente da GoNext Family Business, foram raras as ocasiões em que o próprio sócio-fundador deu início a um processo de transição. Geralmente, verificamos que os projetos de governança têm seu início atrelado a agentes financeiros ou mesmo à iniciativa das novas gerações. De acordo com a pesquisa “Retratos de Família”, divulgada em 2016, elaborada pela KPMG com o apoio do ACI Institute e do Board Leadership Center, dos 200 representantes de empresas familiares brasileiras entrevistados, pouco mais da metade possui planejamento sucessório para o cargo de diretor-presidente. Em 88% das empresas pesquisadas quem ocupa a posição máxima na administração são os membros da primeira geração (fundadores) ou da segunda.

Adiar um processo que, cedo ou tarde será inevitável, é uma ação contraproducente quando se fala em empresa familiar. Quanto antes ele for iniciado, menores serão os prejuízos administrativos, econômicos, financeiros e nas relações familiares enfrentados na ausência do sócio-fundador.  O plano de sucessão deverá estar alinhado ao planejamento estratégico da empresa. Para otimizar este processo e maximizar as chances de uma transição positiva é importante seguir alguns passos.

Um deles é a identificação da estratégia da empresa com relação ao seu crescimento, objetivos, desafios e oportunidades. Com estes dados é possível distinguir as competências estratégicas que a companhia necessitará para atender a sua ascensão. Além disso, é importante avaliar a situação de cada membro e fazer uma análise individual de cada potencial sucessor, que deve ser liderada pelo conselho de administração da empresa. É necessário um entendimento claro do perfil do novo líder para evitar problemas futuros. A avaliação para a escolha deve ser criteriosa e imparcial.

É preciso entender o que é planejado para o futuro da empresa e as expectativas quanto às necessidades de liquidez (distribuição dos lucros), quanto ao patrimônio e ao legado. Esses fatores são decisivos para a montagem do processo sucessório, que é algo contínuo. Preparar o sucessor sempre será um desafio. Requer tempo, muito treinamento, paciência e projetos plausíveis. Por isso, quando há uma consciência coletiva sobre a importância da implementação de instrumentos para facilitar a transição, melhor para garantir a constante evolução dos negócios e das pessoas, mesmo com a ação do tempo e as mudanças inerentes a ele.

Eduardo Valério é graduado em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), especialista em Estratégia e Marketing pela Kellogg School of Management, especialista em Governança Corporativa para Empresas Familiares pela The Wharton School, Pennsylvania e especialista em Gestão pelo Insead. Eduardo é diretor-presidente da GoNext, especializada em gestão de negócios e implantação da governança corporativa em empresas familiares.