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GoNext CEO debate como fazer diferente pode ser bom

GoNext CEOs debate como fazer diferente pode ser bom

O tema do GoNext CEOs de setembro mostrou como essa estratégia vem fazendo a diferença em uma das maiores multinacionais do mundo: a New Holland Agriculture

Quando Gustavo Taniguchi, Head of Commercial Marketing LATAM na New Holland Agriculture, assumiu a sua função na empresa, encontrou um grande desafio, principalmente por estar entrando nesse novo segmento de interesses junto ao principal público-alvo: os agricultores.

O que no início foi tratado como um desafio, logo se mostrou uma grande vantagem, pois o Gustavo conseguiu analisar todos processos e ações do seu departamento e implementar diversas melhorias e inovações.

Aos poucos a cultura do “sempre foi assim” foi alterada para atitudes que refletem em novas e inovadoras soluções, afirma Taniguchi.

Isso se deve, segundo Gustavo, ao processo de encantamento do cliente, que atualmente não compara somente o que é oferecido pelos concorrentes do mesmo segmento, mas também a experiência de compra e atendimento do cliente.

Isso se deve, ao processo de encantamento do cliente, que atualmente não compara somente ao que é oferecido pelos concorrentes do mesmo segmento, mas também sobre a experiência de compra e atendimento do cliente em geral, destaca.

“A maior parte dos consumidores Apple não são atraídos somente pela qualidade de seus produtos, mas pela experiência de compra e a ampla gama de serviços oferecida aos clientes”, friza.

“É preciso perseguir a experiência do cliente oferecendo sempre a melhor qualidade possível”.

O objetivo é oferecer soluções inovadoras em todos os processos da New Holland para que o consumidor final perceba a forte cultura de inovação da empresa. “Temos vontade de sempre oferecer o melhor, e buscamos incansavelmente fazer o diferente”, enfatiza.

A partir desta premissa Gustavo destacou importantes projetos que teve a oportunidade de implementar, como uma completa reformulação no estande da New Holland no principal evento agrícola do país, ações com influenciadores digitais que geram conteúdos relacionados a vida no campo, um happy hour on-line com diretores da empresa e embaixadores da marca para troca de conhecimento, entre outras ações. Ele também implantou o projeto “É tempo de mulher“, que traz mulheres com forte atuação na agricultura para protagonizar ações.

Além disso, em época de pandemia, o Head of Commercial Marketing LATAM na New Holland Agriculture dividiu com os CEOs estratégias adotadas para os próximos lançamentos da marca. “Algumas ações propostas contém um pouco de loucura e só é possível implementá-las porque a inovação e a tecnologia estão presentes na cultura da New Holland, com um time que trabalha para fazer a diferença e encantar os clientes, incluindo os diretores que compreendem esta necessidade“, finaliza.

Ao fim do evento, os participantes tiveram a oportunidade de tirar suas dúvidas sobre o conteúdo apresentado, além de saberem um pouco mais sobre como é o dia a dia em uma empresa como a New Holland.

Tem interesse em fazer parte de um grupo formado exclusivamente por CEOs e ter acesso a encontros dinâmicos que fortalecem a troca de experiências para a busca das melhores soluções adequadas aos diversos segmentos de atuação? Acesse: https://gonext.com.br/forum/ entre contato conosco e saiba mais!

Videoconferência exclusiva apresenta a cultura de inovação da Amazon

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GoNext Fórum CEO reuniu participantes para entenderem como funciona a estrutura organizacional da empresa conhecida por ter a inovação em seu DNA

O GoNext Fórum CEO de agosto trouxe para o debate uma questão fundamental para o mundo corporativo atualmente – a inovação. Evandro Mello, gerente de território da Amazon Web Service (AWS), plataforma de serviços de computação em nuvem oferecida pela Amazon.com, explicou como funciona a cultura organizacional da empresa, que perpassa por todas as áreas e processos – desde a contratação de novos colaboradores até a consolidação de ideias e desenvolvimento de novos produtos e serviços.

Segundo Mello, a Amazon.com tem um jeito peculiar de trabalhar e organizar seus processos. “É uma cultura muito forte aqui dentro, a inovação está em seu DNA. Não quer dizer que é o melhor ou o único jeito, mas é o melhor pra nós. Cada empresa tem uma realidade e deve se adaptar a ela”, observa. A companhia tem como missão “ser a empresa mais centrada no cliente da Terra”, ou seja, o cliente está no centro de tudo e de todas as decisões e é a partir dele que a inovação começa. “Buscamos entender como aquilo vai beneficiar o cliente e pensamos em possíveis feedbacks para construir qualquer serviço ou produto. Jeff Bezos, fundador da Amazon.com, diz que os clientes estão sempre lindamente, maravilhosamente insatisfeitos, mesmo quando relatam que estão felizes e os negócios estão ótimos. Mesmo sem saber, eles querem algo melhor”, destaca.

Com o foco no cliente, para pensar em inovação as equipes trabalham com base em um modelo de crescimento no qual é importante pensar no que não vai mudar nos próximos anos – a postura em relação ao valor, seleção e conveniência. Ninguém vai querer pagar mais caro por um produto, optar por uma experiência ruim ou caminho mais longo e nem por algo que não é selecionado. “Ao melhorar a experiência do consumidor, o tráfego aumenta, amplia a seleção de produtos e com maior escala, eles ficam mais baratos”, esclarece.

Inovação é um processo que inclui incompreensão e riscos

Na Amazon.com, a cultura inclui, além da obsessão no cliente, a contratação de construtores que são motivados a construir em um sistema de confiança, onde é possível errar. Os princípios de liderança, como inventar, simplificar, pensar grande, ter pensamento de dono e ter iniciativa, regem a empresa e transformam cada colaborador em um líder. “Tudo deve passar por estes princípios. Se uma ideia ferir algum princípio, ela é reprovada. Como estamos sempre inovando, sabemos que podemos ficar incompreendidos por muito tempo, como aconteceu quando a AWS surgiu. No início, foi vista como um risco pelo mercado, entretanto, hoje é a empresa mais lucrativa do grupo e a que mais cresceu”, ressalta o gerente.

Inovar também é correr riscos. E na Amazon.com, a velocidade das decisões importa: quando são reversíveis, não precisam de análise aprofundada. Quando é uma decisão que não tem volta, deve ser analisada com calma. O risco calculado é valorizado. “Tomar uma decisão rápida é muito importante e você cria isso tendo as pessoas corretas no time e entregando o princípio de liderança do ‘faça’”, observa.

Comportamentos que facilitam o pensamento inovador

O processo de trabalhar de trás para frente é importante para obter clareza. Ele tem início na necessidade do cliente. A partir desse ponto, você deve descrever o produto como se estivesse pronto, como em um release de lançamento para a imprensa. “Neste exercício você precisa pensar no que está sendo lançado e nos benefícios. O próximo passo é escrever as perguntas mais frequentes dos clientes e questões internas e pensar na parte visual, isso antes mesmo de fazer o produto. O objetivo é mitigar os erros. Construímos este documento, com o máximo de detalhamento possível, discutimos bastante com a equipe e fazemos críticas construtivas. No final, todos tomam a decisão juntos”, conta.

A inovação ainda exige uma estrutura que suporta rápido crescimento e mudanças e uma organização dos times. As equipes são pequenas, descentralizadas e empoderadas, com no máximo oito pessoas. “Temos um senso de dono, somos donos do que construímos. Se está ao meu alcance, eu vou executar. Nosso ambiente também é seguro, não é de punição. Erra faz parte, se não tiver riscos, não é inovador. Para inventar, você tem que experimentar e assim, aprendemos com as falhas. A inovação está no nosso dia a dia e passamos por treinamentos constantes, pois inovar está fortemente ligada à cultura da empresa”, acrescenta. 

Especialistas falam sobre cenário econômico mundial e a preservação do patrimônio no GoNext Fórum

Especialistas falam sobre cenário econômico mundial e a preservação do patrimônio no GoNext Fórum

A preservação do patrimônio depende, entre outros fatores, da análise da economia global. Em meio a uma crise, como a atual, analisar as perspectivas da economia é ainda mais importante para minimizar os riscos de perda permanente do patrimônio e garantir sua perpetuação ao longo dos anos. Dada a importância do tema, o GoNext Fórum convidou Rafael Cavalieri, vice-presidente do Private Wealth Management da Goldman Sachs, em Miami, e Matheus Dibo, vice-presidente do Investment Strategy Group (ISG), em Nova York, para um debate com os CEOs e presidentes de conselho.

Dibo, especialista em oportunidades de investimentos em ações de países emergentes, fez uma análise da economia mundial e destacou principalmente o cenário dos Estados Unidos e do Brasil. Para entender o contexto atual, Dibo explicou que a Europa deixou de ser o epicentro da pandemia da COVID-19 devido a eficácia das políticas públicas implementadas para conter o avanço da doença.

Nos EUA, o número de casos tem aumentado, entretanto, o de mortes não apresenta crescimento. Isso se deve ao fato do aumento da testagem na população, do contágio afetar a população jovem, que é mais resistente ao vírus, e o preparo de médicos e hospitais que já enfrentam o problema há quase seis meses. Enquanto o número de mortes não aumentar, o risco de medidas de restrição é menor. Mesmo assim, é um risco que deve ser monitorado de perto.

Em relação aos países emergentes, apesar da demora em serem afetados, o crescimento do número de casos continua. A grande preocupação é que a capacidade destas regiões para lidar com a pandemia é muito menor comparada a dos países desenvolvidos.

Recuperação econômica

O processo de recuperação econômica dos EUA tem sido gradual. Segundo Dibo, o impacto da crise é persistente na economia americana e a expectativa é que seja dissipado em 2022. A queda de 33% nas atividades econômicas é sem precedentes na história do país, por isso a recuperação do segundo semestre não é suficiente para compensar os resultados negativos do primeiro semestre, sendo que a previsão é de uma contração de 4,2%.

Graças às políticas fiscais adotadas pelo governo e as ações monetárias realizadas pelo Banco Central, ambas consideradas agressivas principalmente por ações como injeção de liquidez para repor a perda de renda, empréstimos que não precisam ser pagos já e corte de juros, a economia americana irá se recuperar de uma forma saudável.

“A expectativa de contração na economia mundial é de 3,4% este ano. No âmbito global estamos falando de mais de 6% do PIB mundial em estímulos fiscais para ajudar a conter os impactos negativos da crise. No curto prazo evita uma contração ainda maior da atividade econômica e a longo prazo aumenta a dívida, é uma faca de dois gumes”, destaca.

Cenário brasileiro

Dibo observa que a expectativa para o PIB brasileiro é uma contração de 7,7%, voltado a um patamar menor do que o registrado em 2010. “Infelizmente é uma década perdida. A recuperação em 2021 deve ser de apenas 4%. É a pior performance de crescimento entre as economias emergentes mundiais. Além disso, com os juros baixos, o Brasil não é atrativo para investimentos e tem a segunda bolsa mais cara comparada a dos outros países em desenvolvimento. O país ainda vive uma crise tríplice – sanitária, econômica e política. Essas incertezas afetam negativamente o mercado brasileiro”, destaca.

Preservação do patrimônio

Cavalieri, que atua com gestão de recursos para brasileiros investidores no mercado financeiro internacional, explica que ao redor do mundo observa-se que as questões culturais, sociais e econômicas afetam a transmissão de patrimônio relevante entre as gerações. No caso das famílias que conseguem manter o patrimônio é possível identificar três características principais. A primeira é que elas conhecem seus verdadeiros inimigos: a perda permanente de capital (que pode ser causada por uma crise) e a inflação, considerada uma perda permanente de capital a conta gotas. “Nosso principal trabalho é construir portfólios customizados que minimizem a probabilidade da perda permanente de capital”, destaca.

A segunda característica diz respeito à governança e sucessão familiar. Estas famílias criam estruturas de governança que impedem que o filho, neto, genro ou nora, por exemplo, tenham uma ideia genial e consumam 30% a 40% dos recursos em um projeto. Também há a mudança de estrutura para diminuir o percentual de ganho dos membros familiares levando em consideração a média de três anos. “São mecanismos de sucessão e governança que automatizam a distribuição de ganhos e a forma como o patrimônio está sendo gerido”, observa.

A terceira característica está relacionada aos investimentos globais. Estas famílias que preservam seu patrimônio entre gerações sabem que seus investimentos não estão restritos ao seu país. Investir em moedas de países desenvolvidos é a melhor forma de prevenir a perda permanente de capital. “Construir um patrimônio é muito difícil e pouca gente consegue fazer isso. Mas a habilidade de gerar riqueza é diferente da habilidade de administrá-la. Nosso trabalho é ajudar nossos clientes a perpetuar o capital ao longo dos anos e contribuir para que os membros da família entendam as habilidades necessárias para preservar a riqueza”, acrescenta.

Cinema ajuda empresários a entender a realidade digital

Cinema ajuda empresários a entender a realidade digital

Já pensou em assistir um filme e entender sobre assuntos como inovação disruptiva, inteligência artificial, blockchain e cyber security? Além de ser possível, é uma forma leve de analisar como as empresas podem se adaptar à nova realidade on-line, como mostra o digital thinker Edison Carmagnani Filho em seu livro “A Startup vai ao cinema”, lançamento da Dobradura Editorial. No GoNext Fórum temático da última terça-feira (09), Filho, que também é advogado, DPO, escritor, professor convidado na Fundação Dom Cabral e sócio proprietário do escritório paulista LFPKC Advogados, apresentou a obra, comentou os principais filmes abordados no livro e provocou os CEOs e Presidentes de Conselhos a pensarem sobre inovação e mundo digital no cenário corporativo a partir do ponto de vista da indústria cinematográfica

Hoje, a internet faz parte da sociedade e já conecta 3,5 bilhões de pessoas, sendo que a previsão até 2025 é que 6 bilhões estejam conectadas. Os smartphones mudaram a história da humanidade, além de existir máquinas com enorme capacidade de processamento computacional e armazenamento de informações. “Tecnologias que estavam em desenvolvimento há décadas eclodiram quase que simultaneamente, como as impressoras 3D, nanotecnologia, computação quântica e sensores utilizados na internet das coisas. Neste contexto, as startups vêm devastando as empresas calcadas em regras rígidas e manuais de controles de governança corporativa obsoletos”, afirma.

Para o advogado, o propósito do livro é mostrar como o cinema é capaz de ajudar na compreensão de um universo tão complexo que é o digital. “O digital business tem vários vetores, questões organizacionais, mindset, segurança, e os filmes trazem bagagem para se posicionar. Vale a pena ver os filmes porque é uma forma lúdica de ter mais conhecimento de assuntos mais difíceis como o blockchain. No livro, eu procuro explicar o que é cada cenário”, esclarece. 

Confira os filmes que o digital thinker abordou no GoNext Fórum

Jobs

Filho explica que a inovação pode ser incremental (processo de melhoria contínua, sustentação para o que já existe) ou disruptiva (ruptura do negócio tradicional). “A Serasa Experian, por exemplo, é um negócio tradicional, que usa os dados das pessoas físicas e busca informações sobre crédito. Ela investiu na Serasa Datalab, que inovou e passou a usar dados do celular pessoal do usuário, como GPS, para traçar seu perfil. Sobre inovação disruptiva, acho incrível a história de Steve Jobs, pois ele não agregou valor, ele criou valor, trazendo revoluções. Vale a pena ver o filme”, comenta. 

2001 – Odisseia no espaço

Amado por uns e odiado por outros, “2001 – Uma odisseia no espaço” apresenta o início da era humana e vai para o futuro, no ano de 2001. Filho destaca que o grande personagem é o computador  HAL, responsável por comandar os astronautas. A máquina é representada de forma humanizada, enquanto os astronautas parecem ser robotizados. “O filme é interessante se pensado pela ótica do machine learning, que evolui para inteligência artificial. Uma das cenas mais interessantes é quando os astronautas desligam o som para o computador não ouvir o que estão falando, mas a máquina consegue fazer leitura labial, mesma tecnologia usada pela Netflix para legendar filmes”, ressalta. 

A rede

Estrelado por Sandra Bullock, A rede tem sua trama baseada na perseguição da personagem principal, que recebeu um disquete com um programa de proteção da Casa Branca e teve seus dados alterados no Big Data. “O filme antecede a criação do Big Data, sistema que permite milhões de análises e tem diferentes entradas, como e-mails, vídeos e redes sociais. Também é possível entender sobre Data Science, que possui dados estruturados e não estruturados. Saber utilizar estas informações no seu negócio é essencial para gerar valor. Assistir a esse filme é uma forma lúdica de estudar estes assuntos”, observa. 

Hacker

O filme é baseado em uma invasão hacker que ocorreu em 2010 em computadores que gerenciavam as usinas nucleares do Irã, gerando pânico mundial. Na trama cinematográfica, o mercado financeiro americano é alvo dos hackers. “A internet possui três níveis, a surface web (internet normal), a deep web (nível de criptografia grande para garantir mais segurança a operações bancárias, por exemplo) e a dark web (plataforma de produtos ilegais). No filme é possível compreender a importância do grau de segurança que as empresas precisam investir para proteger os seus dados e as informações as quais têm acesso. E este investimento também será necessário por causa da lei geral de proteção de dados”, alerta. 

Privacidade Hackeada

Este é outro filme importante para entender o universo do cyber security. “Temos um universo de empresas que ainda não têm consciência da necessidade de proteger dados, principalmente os da pessoa física. Todos vão ter que arrumar a casa, saber onde estão os dados, o que é obrigação legal, quais informações são para a própria operação. É um trabalho complexo. O Privacidade Hackeada serve de pano de fundo para o tema da lei geral de proteção de dados”, destaca.

The Jetsons, o filme

O desenho, apesar de ser de 1962, mostra muitos aspectos da realidade atual. Videoconferência, robô limpando a casa, taxidrone, internet das coisas, automatização e smart city são alguns exemplos do que existe no mundo e parecia apenas imaginação quando o filme surgiu. “O que eles erraram é que tinha botão pra tudo e hoje tem touchscreen. No livro, eu faço um paralelo entre o que tem nos Jetsons e o que existe hoje. É uma ótima opção para assistir com os filhos e netos e fazer comparações”, recomenda.

Banco ou Bitcoin

O filme, disponível na Netflix, aborda o blockchain, livro de registros público onde ficam armazenadas todas as transações efetuadas utilizando criptomoedas. “O blockchain ficou muito ligado à moeda, mas o mais importante é a rastreabilidade. O banco, que sempre centralizou os dados, perde a sua essência. Essa é uma ferramenta fantástica, que permite rastrear toda a cadeia de ponta a ponta, reduzindo as possibilidades de fraude. Este filme é uma aula sobre blockchain”, acrescenta. 

Eis os delírios do mundo conectado

O documentário, lançado pela Netflix em 2016, apresenta uma análise detalhada sobre a origem e os impactos da internet na sociedade contemporânea. Também faz uma análise sociológica e provocativa sobre os limites e as fronteiras da internet em um mundo que passa o tempo todo conectado. “É uma reflexão sobre a ética e o mundo digital. Mostra o lado positivo da internet e também o dark side, como fake news, crianças bombardeadas com segunda identidade, cyber bulling e depressão”, comenta. 

Quanto tempo o tempo tem

Este filme é interessante para entender mais sobre como funcionam as organizações exponenciais, como as startups, que baseiam sua atuação em modelos de negócio escalonáveis, ou seja, que podem ser reproduzidos repetidamente em grande quantidade e com alto ganho de produtividade. “Acompanhar essa velocidade é fundamental para quem está na área de gestão, atua em conselhos ou é um executivo. É preciso saber o timing e a modelagem da empresa. O Google, por exemplo, é extremamente ágil, diferente de uma organização tradicional, que pensa de forma linear. Lamentavelmente não temos tempo de pensar em digital business, mas é isso que vai movimentar o mercado. Se as organizações forem restritas a este movimento, vão virar pó”, finaliza. 

Economista fala sobre a perspectiva global da economia e os cenários da política brasileira no enfrentamento da crise da COVID-19

Economista fala sobre a perspectiva global da economia e os cenários da política brasileira no enfrentamento da crise da COVID-19

A pandemia da COVID-19 afetou países no mundo inteiro de maneira heterogênea e em velocidades diferentes. Entretanto, os impactos negativos foram profundos no contexto global – e os governos lançam mão de estratégias para enfrentar a crise, encurtá-la o máximo possível e minimizar suas consequências. Foi justamente sobre aspectos econômicos na perspectiva global e cenários da política brasileira que o economista, consultor e escritor Gilmar Mendes Lourenço falou no GoNext Fórum dessa quinta-feira (21). Lourenço é mestre em Engenharia de Produção, já atuou como diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES) e foi eleito “Economista Acadêmico Paranaense” pelo CORECON/PR.

Panorama da economia mundial

Na conjuntura internacional, o economista destacou que o mundo vinha de uma desaceleração cíclica da economia e partiu para a recessão da COVID-19. Entre 2011 e 2019, o PIB mundial cresceu cerca de 3,6% ao ano, enquanto o Brasil cresceu apenas 0,7% ao ano. Entretanto, no segundo semestre de 2018, houve uma exaustão do ciclo expansivo principalmente devido à guerra comercial entre China e Estados Unidos, ao aumento do protecionismo norte-americano e a questões geopolíticas de países como Rússia, Ucrânia e Irã. Com a pandemia do novo coronavírus, a taxa de crescimento mundial que estava em 3,3% no mês de fevereiro caiu para -3% em abril de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). “O FMI já projetava uma desaceleração, mas o episódio do coronavírus fez com que as projeções fossem revisadas para baixo. Isso que o FMI é considerado extremamente otimista”, explica.

Recessão econômica

A pandemia teve início em Wuhan, na China, em meados de dezembro. Com a quarentena, a recessão do país foi de -6,8% no PIB, depois de 28 anos de crescimento contínuo. Para se ter ideia, em abril de 2019, o crescimento chinês foi de 3,9% e, em março de 2020, o percentual caiu para 2,27%.

O Japão já vinha sofrendo uma recessão desde 2019 e a crise agravou o fato, com queda de -3,4% no PIB no primeiro trimestre deste ano. As projeções indicam que o país terá a pior recessão desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Nos Estados Unidos, no primeiro trimestre deste ano houve uma hesitação nas ações, com recessão de -4,8% do PIB, enquanto na Europa as 19 nações da zona do euro tiveram uma queda no PIB de -3,8%, pior índice da série histórica que começou em 1995.

Segundo dados do FMI, do IBGE e do Banco Mundial, o desemprego nos EUA saltou de 3,5% em fevereiro para 14,7% em abril. Na China, o percentual foi de 3,6% para 6,0%. No Chile, de 7,0% para 8,2%. No Brasil, de 11,6% para 12,2%.

Enquanto isso, a inflação teve queda na maioria dos países, resultando também na diminuição dos juros.

Socorro fiscal

Na tentativa de conter os impactos da crise, os governos buscaram estratégias de socorro fiscal e financeiro em todo o mundo, com pacotes que visam salvar vidas, empresas e empregos. O valor total aproximado da ajuda chega a US$ 9 trilhões. Entre os países que mais implementaram medidas fiscais para o combate à COVID-19 estão Islândia (7,8% do PIB), Grécia (7,6% do PIB), Estados Unidos (6,8% do PIB), Alemanha (4,9% do PIB), Japão (4,9% do PIB), Canadá (4,7% do PIB) e Brasil (3,5% do PIB).

“Ninguém previu esta crise e provavelmente é a maior desde a grande depressão que afetou o mundo entre 1929 e 1933. Por não surgir na economia, mas na saúde, ela vai exigir recursos muito mais expressivos do que o alocado na crise de 2008, por exemplo. O tamanho da disponibilização de recursos fiscais é enorme. Os dados do Brasil são um pouco distorcidos, pois são compilados e ainda não foram injetados na economia, principalmente a questão do crédito que ainda não chegou”, esclarece.

Curvas de retomada da economia mundial

Existem basicamente quatro curvas de retomada da economia e todas dependem da descoberta de remédios e vacinas para a COVID-19. As com menor chance de ocorrência são a V, que indica queda abrupta e recuperação rápida, e a L, com prostração da matriz econômica e incapacidade da economia de sair da crise. Por outro lado, as mais prováveis são a U, que aponta uma longevidade maior da crise, e a W, com subidas e descidas no número de casos e mortes, o que implica na diminuição e aumento de medidas de combate ao novo coronavírus.

“Tudo depende da descoberta no curto prazo de um remédio potente e de uma vacina para resolver o problema em definitivo. A curva em W é a mais provável, sendo que quarentenas e isolamentos sociais passam por afrouxamento em virtude da estabilização de casos e depois são fortalecidas novamente pelo aumento do contágio e mortes”, acrescenta.

Cenário brasileiro

Segundo o economista, o Brasil está na quarta “década perdida” em função da contínua queda do crescimento econômico. Nos anos 90, a gestão de Fernando Henrique Cardoso promoveu a abertura comercial e financeira, a desregulamentação do mercado, o processo arrojado de privatizações, a implementação do plano real, a eliminação da hiperinflação, a instauração de programas de transferência de renda, a lei de responsabilidade fiscal e a valorização do salário mínimo. Os resultados destas ações apareceram nos anos seguintes, no governo de Luís Inácio Lula da Silva.

“Lula herdou a maturação dessas ações, adotou a política conservadora que vinha sendo adotada por FHC, organizou e ampliou os programas de transferência de renda e continuou valorizando o salário mínimo. Ele também pegou carona no crescimento internacional. Porém, na crise de 2008, os gastos públicos aumentaram expressivamente e não houve crescimento da infraestrutura, criando uma bomba relógio que estourou na década seguinte. Além de ter errado muito, Dilma foi a grande vítima dessa bomba. Nesta década perdida, tivemos seis anos de recessão e estagnação”, aponta Lourenço.

Governo Bolsonaro

O economista destaca que, no governo atual, do presidente Jair Messias Bolsonaro, há uma ausência de um projeto abrangente e consistente de nação. Com equívocos caseiros, ausência de coesão interna, múltiplas correntes e polarização ideológica, somados à pouca experiência política, à relação hostil com a frágil e fragmentada base parlamentar e às frequentes demonstrações de desrespeito aos princípios democráticos mais elementares, o governo tem operado no improviso.

“Desde que venceu as eleições, Bolsonaro não para de atacar as oposições. Os partidos contrários, especialmente o PT, que estava praticamente morto, podem até ressuscitar na insistência de não governar e incentivar a polarização ideológica. Além disso, não há uma política econômica articulada e as diretrizes são confusas e limitadas. A reforma da previdência foi aprovada por causa do Congresso, o que irá promover uma economia de cerca de R$ 800 bilhões em 10 anos. Entretanto, o pacto federativo ficou no vácuo e perdido e segue engavetado no Senado”, observa.

Na visão de Lourenço, um Estado pouco eficiente e com dificuldades financeiras tem que priorizar as privatizações, que estão sendo realizadas no “varejo”, como vinha acontecendo no governo Temer, de portos e aeroportos. “Na gestão atual não foi privatizado quase nada e o Paulo Guedes, ministro da Economia, privilegiou algumas vendas e concessões sem um programa articulado. No que diz respeito à reforma tributária, não existe, não há proposta e ela não se manisfeta nos projetos que tramitam no Senado e na Câmara”, destaca.

Economia pós-COVID-19

A economia brasileira estava em um processo de recuperação, que foi interrompido pelo surgimento da pandemia do novo coronavírus. Somente pelo resultado do mês de março, considera-se que a economia do país já entrou em recessão. De acordo com dados do IBGE, a taxa de crescimento da produção industrial do país terminou o primeiro trimestre com dados negativos em todos os setores, desde os bens de capital, intermediários e de consumo duráveis até os semiduráveis e não duráveis. “A gestão econômica do governo Bolsonaro não é capaz de fazer com que a indústria se reerga. Informações da sondagem industrial divulgadas pela Confederação Nacional da Indústria mostram que em fevereiro e março a variação percentual do faturamento real, das horas trabalhadas na produção e do emprego foi negativa, assim como a utilização da capacidade instalada, que registrou a maior queda (49% em abril) da série histórica que teve início em 1998”, afirma.

Em relação ao comércio varejista, os indicadores do volume de vendas já sugeriam queda e despencaram no mês de março. As maiores quedas foram registradas nos setores de tecidos, vestuário e calçados (42,2%), veículos, motos, partes e peças (36,4%) e livros, jornais, revistas e papelaria (36,1%). Destaque apenas para o ramo de supermercados e de artigos farmacêuticos, que registraram crescimento de 14,6% e 1,3%, respectivamente. Os serviços também registraram queda, especialmente os de alojamento e alimentação (35,8%) e os prestados às famílias (33,4%).

O desemprego, que estava em queda, voltou a aumentar em janeiro, sendo que no primeiro trimestre deste ano 12,9 milhões de pessoas ficaram desocupadas e 27,6 milhões subutilizadas, segundo o IBGE. “A desigualdade social é assustadora no Brasil. 52,5 milhões de pessoas estão abaixo da linha da pobreza e 6,5 milhões na extrema pobreza”, aponta Lourenço.

Crise sanitária, econômica e social: como o governo Bolsonaro está gerindo a crise

Para o economista, o governo tem negado veementemente o poder do vírus em contraste com as avaliações científicas, práticas médicas e posições do Ministério da Saúde, de governadores e de prefeitos, que defendem o isolamento social.

“Há um antagonismo entre economia e saúde, mas estes dois fatores não são antagônicos e devem ser tratados simultaneamente. Além disso, a história da economia mundial mostra que a cartilha liberal não serve para superar crises profundas e sistêmicas como esta. O governo teve dificuldades em adotar uma postura mais agressiva de resgate do papel do Estado. Quem vai salvar as empresas enquanto não se resolve a doença? É o Estado”, declara.
Contudo, Lourenço destaca que o socorro depende de ações quase que exclusivas do Legislativo, como o auxílio emergencial aos vulneráveis, a PEC do orçamento de guerra e o apoio financeiro aos estados e municípios com a suspensão do pagamento das dívidas com a União até o final do ano e a compensação por perda de arrecadação. Enquanto isso, o Banco central é um financiador quase que direto do sistema com a aquisição de papéis públicos e privados. A drástica redução dos depósitos compulsórios e da SELIC ainda não chegou na ponta, assim como as linhas especiais de financiamento, empoçando a liquidez.

O governo também não assumiu o papel de coordenação das tarefas de gerenciamento e reversão do caos, se esquivando e colocando a culpa em terceiros. “A cada manifestação do presidente, o dólar sobe e as bolsas caem. Sua articulação com o Centrão é baseada na distribuição de cargos e orçamentos para salvar mandatos e a reputação dos filhos. Bolsonaro vem se furtando do papel de gerenciamento da crise e reversão deste cenário. Além da guerra contra a pandemia, talvez a guerra mais importante neste momento é a guerra com governadores, imprensa e ministros”, comenta.

Todos estes fatores vêm deteriorando a confiança empresarial, que era de 99 pontos em fevereiro e caiu para 57,5 em abril segundo dados da FGV. Já o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado pela Confederação Nacional das Indústrias, estava acima dos 60 pontos em janeiro, indicando muita confiança, e em maio caiu para 34,7 pontos. A avaliação do governo também tem sofrido alterações, como mostra a pesquisa da XP/Ipespe, sendo que em maio foi avaliado como ruim ou péssimo por 50% dos entrevistados, 25% avaliaram como ótimo e bom e 23% como regular. “É a pior avaliação do governo Bolsonaro, mas não se compara aos tempos de Dilma e Temer. Neste momento, a população brasileira, apesar de não aderir plenamente, ainda apoia as medidas de isolamento e distanciamento social adotada pelos governadores”, enfatiza Lourenço.

Quando a crise vai acabar?

Lourenço afirma que quem atua com cenários e prospecções tem que ser realista e trabalhar essencialmente com informações. Por isso, sua expectativa está nos resultados do mês de abril da China, onde tudo começou. “Se os números mostrarem que a China voltou a crescer de uma forma consistente, acho que o cenário em V vai se concretizar para as principais economias. A Ásia como um todo tem chances de se recuperar em V, já que a princípio atingiu o vale da crise, controlou a pandemia e tende a voltar à normalidade no segundo semestre deste ano ou começo de 2021. Essa é a minha aposta. Mas a grande incógnita são os Estados Unidos, pois a curva diminuiu, os números são elevados e muitos estados estão anunciando a flexibilização das medidas de isolamento social. Resta saber se daqui 15 ou 20 dias o contágio vai cair ou aumentar. Se aumentar, volta o fechamento e o cenário em W se concretiza, o que seria muito ruim”, acredita.

O economista destaca que a expectativa tem que estar ligada à descoberta de vacinas e remédios o mais rápido possível. De qualquer forma, na sua visão a economia mundial tende a se recuperar, ainda que de forma díspar e heterogênea, a partir do segundo semestre deste ano. “O Brasil vai demorar um pouco mais, sendo que a questão política atrapalha bastante. O radicalismo do Bolsonaro tem múltiplos aspectos negativos, mas também tem facetas positivas. Era visível o monopólio da Rede Globo e a relação promíscua de governos com alguns veículos de comunicação. Bolsonaro não eliminou, mas restringiu drasticamente as verbas. De um lado, a mídia tem um sensacionalismo exacerbado, apenas com notícias ruins, e do outro lado o governo tem uma posição extremamente radical do ponto de vista político”, acrescenta.

Sobre o socorro aos empresários, Lourenço observa que é o momento em que o Estado tem que atuar de forma pesada e o Brasil deveria fazer isso com mais rapidez e competência. “O governo tem que gastar, emitir dívidas, emitir moeda, dar dinheiro para os empresários conseguirem manter os funcionários em casa e depois que tudo passar acertar as contas com aumento de carga tributária, reformas, menos impostos indiretos e mais imposto direto. A forma de pagar se resolve depois da pandemia. Entretanto, o governo está muito na defensiva. O empresário precisa de crédito, socorro financeiro e capital de giro para manter o mínimo de empregos e atividade. Para a economia não quebrar, o governo tem que jogar pesado. Os princípios intervencionistas são essenciais em momentos de crise e, por ser liberal o governo está com receio. Falta ousadia, visão estratégica e ação. É o Estado que tem que agir, pois a crise pode durar muito mais do que gostaríamos”, finaliza.

Estratégias para gestão tributária no cenário atual e no pós-crise são debatidas no GoNext Fórum

Estratégias para gestão tributária no cenário atual e no pós-crise são debatidas no GoNext Fórum

A eficiência na gestão tributária é fundamental para qualquer empresa. Em um período de crise como o que o mundo enfrenta hoje, compreender as oportunidades e soluções relacionadas à função fiscal é essencial para manter a liquidez do negócio. Devido à relevância deste assunto, o GoNext Fórum convidou Hadler Martines, sócio da PwC Brasil, para apresentar perspectivas no cenário atual e no pós-crise. Martines é graduado em Direito e Ciências Contábeis, especialista em Direito Tributário, mestre em Administração e diretor do comitê de legislação tributária e empresarial do Instituto Brasileiro de executivos de Finanças (IBEF-PR). 

Para Martines, em um ambiente de profundas incertezas e crise sem precedentes, os empresários devem entender e traçar planos para conduzir a recuperação do negócio. Os desafios que surgiram com a COVID-19 exigem ações imediatas no que diz respeito à gestão tributária. Entre as principais dificuldades estão o gerenciamento das equipes de maneira remota, a continuidade das rotinas e processos das atividades fiscais, o acesso ao tráfego de dados, a conformidade nos prazos de entrega e pagamento de tributos, e o fortalecimento do caixa com as chamadas agendas tributárias. “A área tributária é complexa, conflituosa e cheia de desconfiança tanto das empresas quanto do fisco. Estes desafios podem se transformar em oportunidades para que a função fiscal auxilie efetivamente na recuperação da empresa e na volta à normalidade”, ressaltou.

O especialista explicou que é preciso entender os impactos da crise para se adaptar e se preparar para as disrupções atuais e futuras. Neste contexto, Martines dividiu a crise em três ondas.

Onda 1

Se refere aos 45 primeiros dias da crise e exige respostas imediatas. Neste momento, a liquidez é muito importante e a parte tributária pode ajudar. O empresário deve analisar as opções, verificar se o recolhimento dos impostos faz sentido, se é melhor postergar o pagamento ou se faz a declaração do saldo sem recolhimento. “A principal meta é manter a rotina tributária e, ao mesmo tempo, manter a liquidez do negócio”, enfatizou. 

Entre os pontos a serem observados na primeira onda estão o trabalho remoto, a continuidade e eficiência das atividades, aderência ao compliance, proteção do caixa, captura de créditos fiscais subaproveitados, captação de recursos estruturada em créditos fiscais efetivos ou contingenciais e monitoramento de regras de adiamento de prazos e incentivos adicionais. “Rever os créditos tomados e incentivos usados nos cálculos de tributos é importante para acelerar a quantificação e monetização dos valores, promovendo um caixa extra para a empresa”, observou.

Onda 2

Na segunda onda, que compreende o período entre 45 e 90 dias após a crise, a empresa deve se adaptar à nova realidade. É essencial revisar o perfil de risco fiscal e ajustar as políticas relacionadas diante do “novo normal” estabelecido pela COVID-19.  Também é preciso analisar novos modelos de negócios com maior eficiência fiscal, automatizar processos no conceito de small automation, desenvolver novos modelos para a função fiscal e colocar em prática novas habilidades adquiridas pela equipe. A crise pode ajudar a refletir sobre modelos mais enxutos, flexíveis, escaláveis e com mobilidade. “Este é o momento de reavaliar a matriz tributária junto aos assessores, pois ela pode ser muito conservadora ou muito arrojada”, apontou.

Onda 3

Na terceira onda, consolidada entre 90 e 120 dias após a crise, a empresa deve ter visão de futuro e definir estratégias da função fiscal. Com a retomada dos negócios, o empresário deve ter em mente uma agenda de crescimento, buscar estruturas mais enxutas e automatizadas, e buscar insights relevantes para o negócio. O aprendizado do “novo normal” da função fiscal foi intenso e o processo deve estar mais eficiente, digitalmente capacitado e em um nível estratégico. Os processos de automação podem se tornar mais abrangentes e ter o suporte de tecnologias apropriadas, com a definição de jornadas contínuas de melhorias. 

“A gente entende como tendência o investimento cada vez maior em tecnologia. A automação da parte tributária é importante até para dirimir problemas de falta ou redução de mão de obra e isso demandará que a área tributária faça mais com menos. Uma saída é o investimento em robôs fiscais, que permite a realização de trabalhos que antes eram feitos por uma pessoa. Nessa terceira fase, de expectativa de saída da crise, podem acontecer fusões e aquisições. A previsão é ter um crescimento muito relevante quando o cenário estiver mais estável e muitas empresas podem ser vendidas e incorporadas a outras, especialmente as que passaram por um momento difícil de caixa nestes meses”, acrescentou. 

Medidas adotadas no Brasil

Fernando Socreppa, gerente de consultoria tributária da PwC Brasil, também participou da videoconferência e evidenciou que as medidas tributárias adotadas no Brasil devido à crise da COVID-19 foram tímidas e, no geral, não foram vistos grandes impulsos para ajudar os negócios ou estimular a economia. No geral, as medidas podem ser divididas em três grandes grupos:

– Redução na carga tributária somente de produtos considerados essenciais para o combate da pandemia, como medicamentos, artigos de laboratório e artigos de segurança em hospitais. 

– Dilatação da prorrogação de prazos para o pagamento de determinados tributos e transmissão de algumas obrigações acessórias. 

– Agilidade na importação de mercadorias necessárias para o combate da COVID-19.

“A crítica em relação à prorrogação da entrega das obrigações acessórias e a postergação do pagamento é que, em algum momento, o tributo postergado vai se confundir com o tributo de competência lá na frente. Na prática, a gente não verifica um estímulo dessa medida, mas sim é mais uma conscientização do governo de que muitas empresas não vão conseguir transmitir suas obrigações. No caso do Simples Nacional, as empresas tiveram sim postergação do ICMS federal e estadual, e a crítica que se faz é porque apenas esta categoria foi incluída nesta pauta”, ressaltou Socreppa. 

O gerente ainda afirmou que outras medidas poderiam ser avaliadas pelo governo para auxiliar as empresas, como rever o limite de utilização de prejuízo fiscal, avaliar outras formas de monetização de prejuízo fiscal, reabrir os prazos para venda de créditos de ICMS e criar formas de monetização de créditos tributários acumulados. 

Matriz de riscos

Martines salientou que as organizações necessitam ter uma matriz de risco para avaliar as medidas que devem ser adotadas de maneira imediata e quais serão os resultados. Na prática tributária, o cenário precisa ser reavaliado e a tomada de decisões deve ser feita em conjunto com outros líderes. “Cada empresa tem sua necessidade e terá sua própria matriz de risco. Não é difícil começar. A matriz é uma espécie de mapa com as práticas tributárias adotadas, os riscos, as medidas que devem ser tomadas em relação aos riscos e as pessoas designadas para a tomada de decisões”, explicou.

A matriz deve ser estruturada com base nos impactos financeiros dos procedimentos tributários, que podem resultar em retorno financeiro baixo, médio ou alto, e na chance de êxito em caso de eventual questionamento ou fiscalização, que pode ser baixa ou média de acordo com os entendimentos dos tribunais administrativos e judiciais, e alta considerando recentes decisões e leis. 

Contribuição da área tributária na retomada pós-crise

A função fiscal pode contribuir com a recuperação e manutenção de caixa das empresas ao avaliar as alternativas de redução de tributos, aceleração de uso de créditos fiscais, revisão de posições mais conservadoras sobre os créditos fiscais, aproveitamento de incentivos fiscais ordinários e os criados em bases excepcionais, venda de créditos fiscais e operações de dívida envolvendo créditos fiscais efetivos ou potenciais. 

Na questão jurídica, a organização pode avaliar os principais temas, como o impacto e operacionalização de regimes legais de trabalho durante a pandemia, a extensão de prazos ou benefícios previstos na legislação fiscal e os impactos de negócios que devem ser considerados do ponto de vista de risco jurídico em virtude das condições excepcionais da economia. 

O último ponto que precisa ser avaliado é referente ao uso da tecnologia para automação dos processos fiscais, com redirecionamento de recursos para as atividades mais críticas, como a gestão do encargo tributário como vetor de geração de caixa. Também é necessário identificar como os processos podem ser melhorados e se a equipe está preparada para a utilização das novas ferramentas. “A avaliação deve ser feita de ponta a ponta para verificar o que é possível automatizar. A automação na área tributária pode ter um retorno muito grande para as empresas”, finalizou Martines. 

CEOs e Presidentes de Conselhos debatem o tema “COVID-19 e o dilema gente x governança” no GoNext Fórum

CEOs e Presidentes de Conselhos debatem o tema “COVID-19 e o dilema gente x governança” no GoNext Fórum

A crise provocada pela pandemia da COVID-19 atingiu empresas de praticamente todos os setores e tamanhos. Acima dos negócios, o item mais valioso no mundo corporativo foi diretamente afetado: o capital humano. Consciente da importância do papel das pessoas nas organizações, a GoNext convidou Claudio Garcia, vice-presidente executivo de Estratégia e Desenvolvimento Corporativo da Lee Hecht Harrison – LHH, em Nova York, para falar sobre “COVID-19 e o dilema gente x governança” no GoNext Fórum desta terça-feira (14/04). 

Especialista em Gestão de Negócios e Ciências do Comportamento, Garcia atua há 14 anos na LHH, empresa global com operações em mais de 60 países e referência mundial na gestão de pessoas, e há cinco mora em Nova York, atual epicentro da pandemia do novo coronavírus nos Estados Unidos. Para o convidado, analisar o cenário atual exige entender os horizontes de atuação das organizações quando se fala em inovação. São três:

Horizonte 1: a empresa conhece a necessidade do cliente ou do mercado e tem conhecimento e capacidade para entregar a solução. É possível fazer melhorias nas operações, nos processos e nos serviços para ter mais eficiência. 

Horizonte 2: a necessidade do mercado é conhecida, porém, ainda não existe conhecimento sobre como supri-la. É preciso investir em novos conhecimentos, contratar profissionais e consultorias e adquirir maquinários. A área de necessidade já existe, mas toda a tecnologia envolvida para entregar a solução deve ser desenvolvida. 

Horizonte 3: a necessidade ainda não foi identificada ou não foi explorada. Não existe solução pronta no mercado para solucionar o problema. 

Cada horizonte exige capacidades distintas, e conquistar novas habilidades demanda investimento de tempo, energia e dinheiro. Durante este aprendizado, a produtividade cai em um curto prazo e depois melhora. Para atingir esta maturidade, o empresário deve olhar por várias perspectivas, analisar o custo de aquisição e pensar em alternativas que possibilitem novas escolhas de tecnologia, processos e modelos de operação, desenvolvimento de habilidades profissionais e mudança de mindset

“O modelo Toyota, de melhoria contínua, é um exemplo do horizonte 1. Já a General Electric se encaixa no horizonte 2, pois adquiriu muitas competências com diferentes aquisições. O horizonte 3 pode ser ilustrado pela Uber, uma empresa que ofereceu um serviço melhor e mais barato que o táxi e que, porém, é um negócio insustentável. Além de não ter perspectivas de dar lucro, destrói negócios tradicionais com soluções que não são viáveis. A Amazon também entra neste contexto, pois durante 15 anos foi sustentada com dinheiro de investidores e quebrou muitas varejistas sem ser um negócio viável”, comentou.

Após a crise de 2008, a maioria dos incentivos econômicos favorecem o capital especulativo, criando uma corrida para manter estas operações e justificar seu valor de mercado. “É preciso investir em aproximadamente 250 empresas para que quatro atinjam break-even e uma vire um unicórnio, segundo o consultor Alexander Osterwalder. Na revolução digital, as oportunidades são exponenciais assim como os riscos”, destacou. 

Importância do capital humano para superar a crise

Com a COVID-19, os impactos podem ser sentidos no presente e no futuro. Poucas empresas vão vencer este período, muitos balanços já estão fragilizados e a desigualdade vai aumentar ainda mais. Por isso, as companhias devem “simplificar o formal e fortalecer o informal” para superar a crise, ou seja: colocar pessoas com pensamentos diferentes para estimular o negócio e buscar novas respostas para os problemas. “A polarização política, a vulnerabilidade social e a violência são coisas que estavam acontecendo antes da pandemia, mas estavam mascaradas. Agora, a única certeza que temos é que a desigualdade vai aumentar, podendo chegar a níveis vistos antes da Segunda Guerra Mundial. Afinal, é mais fácil os poucos ricos conservarem dinheiro do que a população mais pobre. Não quero ser pessimista, mas sim realista. E no passado a desigualdade causou guerras ou revoluções, então precisamos estar atentos”, orientou. 

As políticas públicas implementadas para conter a disseminação do novo coronavírus mostram que é preciso fazer sacrifícios agora para ter benefícios no futuro. “Muitos empresários têm dificuldade de pensar a longo prazo, mas é necessário. Não dá para querer ser competitivo agora, o negócio é sobreviver”, enfatizou. Garcia ressaltou que é difícil prever o que vai acontecer após a crise, mas a expectativa é que surja um “novo normal” com a criação de novos hábitos. Quem não utilizava delivery, por exemplo, passou a usar e a ver os benefícios. 

“Muitas coisas de diferentes setores vão mudar. É hora de aproveitar as dinâmicas que estão acontecendo para criar modelos de negócios que atendam as demandas lá na frente. As coisas mudam todos os dias e você tem que agir enquanto continua andando. Não é desenhar a estratégia, é fazer a estratégia. Isso muda completamente a forma de gestão de pessoas. É preciso maturidade para ter cabeças que pensam diferente de você. E as pessoas têm que vir antes das decisões de negócios para possibilitar a capacidade de repensar o que está acontecendo”, explicou.

Ao ampliar a capacidade de se repensar, é possível reduzir os custos do aprendizado. Os conselhos, por exemplo, devem analisar se possuem os talentos necessários para serem parceiros nas discussões. “Tem tudo a ver com a capacidade e a diversidade do capital humano. Os conselheiros têm que ter pensamentos distintos para as empresas não pensarem todas iguais. Essa é uma crítica constante que eu escuto em relação ao Brasil, por isso é fundamental investir na diversidade”, finalizou.

GoNext Fórum promove debate sobre os impactos da COVID-19 no cenário econômico global e as perspectivas para o período pós-crise

GoNext Fórum promove debate sobre os impactos da COVID-19 no cenário econômico global e as perspectivas para o período pós-crise

Nesta quarta-feira (08), o GoNext Fórum reuniu mais uma vez CEOs e presidentes de conselhos para debater um tema fundamental para as empresas em meio à crise da COVID-19: os impactos no cenários econômicos local e global. O convidado da videoconferência foi Marco Caruso, economista, doutorando em Economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e estrategista chefe do Bradesco Private Bank. Além de apresentar dados e comparar o momento atual com as últimas crises econômicas – a que afetou principalmente os Estados Unidos em 2008 e a que aconteceu em 2011 na Europa –, Caruso ainda analisou as perspectivas no período pós-crise

O especialista destacou que a crise do novo coronavírus foi súbita e surpreendeu a todos, já que ninguém consegue prever que um vírus seja capaz de parar a economia global em tão pouco tempo. Para ele, um fato positivo é que esta condição tem data para acabar. “A crise é de saúde, ainda não é financeira. Por ter origem na questão da saúde pública, ela tem hora para acabar, seja por conta da descoberta de tratamentos eficazes ou pelo fim da quarentena. Só não sabemos quando irá terminar. O impacto é forte, mas é temporário. A crise de 2008, por exemplo, não era uma parada temporária, era mais duradoura”, afirmou. 

No contexto global, a disseminação da COVID-19 ampliou as incertezas, o que resultou em grandes revisões do Produto Interno Bruto (PIB) dos países. A reação do mercado financeiro foi a mais rápida da história e, apesar de ser uma recessão global profunda, a previsão é que seja de curta duração. As quarentenas irão impactar significativamente a atividade global, porém, as características desta crise somadas ao efeito base sugerem uma aceleração em 2021. “O PIB mundial deve ficar negativo neste ano. Entretanto, as estimativas para o ano que vem são de crescimento maior do que estava previsto antes do surgimento da COVID-19. Muitas vezes no olho do furacão, como estamos agora, a tendência é achar que o futuro será igual ao presente. Mas todos os números de 2021 estão sendo revistos para cima, pois depois de um ano ruim não será preciso fazer muito esforço para crescer”, comentou.  

O economista observou que os bancos centrais pelo mundo agiram rapidamente e a postura foi de corte de juros e injeção de liquidez no mercado a partir da compra de títulos públicos e privados. As medidas são resultado dos aprendizados obtidos com as crises de 2008 (EUA) e 2011 (Europa). “Só em março, os bancos centrais injetaram US$ 1,5 trilhão na economia. Mesmo que tenhamos uma visão ruim para 2020, devemos levar em consideração que a disseminação do vírus e a quarentena vão acabar. No fim, teremos uma enxurrada de liquidez e a possibilidade de um crescimento mais forte em 2021 para repor o que foi perdido. Outro ponto interessante é que os governos perderam o pudor em termos de gastos. A Alemanha, que é um país extremamente austero, aumentou bastante o impulso fiscal e deve gastar mais e/ou reduzir impostos em um percentual de cerca de 4% do PIB alemão”, apontou. 

Outros governos ao redor do mundo também estão apostando em estímulos monetários e políticas fiscais para estabilizar o crédito e a economia. Segundo Caruso, é uma crise de saúde e não há tempo para teorias, porque não faz sentido politicamente nem humanamente. Por isso, os poderes públicos estão agindo rapidamente. “Para a pandemia não se transformar em uma crise de crédito, é fundamental dar suporte às empresas e aos trabalhadores. Não é possível dizer que o pior ficou para trás, pois é necessário encontrar uma solução para o vírus e ter confiança para encerrar a quarentena, ou seja, é preciso reduzir significativamente os casos ativos da doença. Todos os países estão usando o padrão da China, pois tudo aconteceu primeiro lá. Agora o epicentro da preocupação são os Estados Unidos, país que ainda não alcançou o pico de casos. A redução dos casos não é suficiente para a normalização, mas é essencial”, esclareceu.

Em relação ao Brasil, o economista acredita que a quarentena ainda vai continuar por algumas semanas, afetando o PIB, que deverá ser em torno de 3% ou 4% negativo. Apesar da alta desvalorização do câmbio e da queda no preço das commodities, a crise é desinflacionária. Caruso explicou que a demanda não vai aguentar a reposição de preço e a inflação vai cair. Além disso, os gastos públicos irão aumentar ainda mais. “O Brasil estava começando a se organizar. Ele já é muito endividado publicamente. Antes da crise, a dívida era de aproximadamente 75% do PIB, e agora pode se encaminhar para 85%. A recuperação depende de um fator essencial: as despesas têm que ser vinculadas à crise, que não pode passar muito de 2020. Com o fim deste período, deve-se enxugar as despesas e retomar o ajuste fiscal”, pontuou. 

Mesmo sendo profunda, o especialista considera que a recessão é passageira e terá uma recuperação duradoura, com longo período de aceleração da economia, se os gastos públicos ficarem restritos a este ano e o ajuste fiscal acontecer. “A crise de crédito é o principal risco. Vamos superar a crise, mas de forma desigual. Setores ligados ao lazer, turismo e serviços vão demorar a se recuperar. Eu arrisco a dizer que a indústria conseguirá uma recuperação mais rápida. Mas, de uma forma geral, a retomada terá uma velocidade um pouco mais lenta”, acrescentou. 

O papel da governança corporativa em meio à crise da COVID-19

O papel da governança corporativa em meio à crise da COVID-19

O novo coronavírus surgiu e se espalhou rapidamente pelo mundo. Além de prejudicar a saúde física e mental das pessoas – e em alguns casos levar à morte –, também afeta a saúde das organizações. Nem os mais célebres economistas, empresários, filósofos, pensadores, políticos, professores e historiadores poderiam prever a situação que a grande maioria dos países está enfrentando hoje. 

Em meio ao medo, às incertezas e às projeções negativas, surgem inúmeras perguntas. Continuar ou suspender as operações? Manter os investimentos ou enxugar todos os custos ao máximo? Como viabilizar a manutenção dos empregos diante de ações de isolamento social? Como tomar decisões? Como ficarão os indicadores econômicos e as mudanças no mercado como um todo? Como se posicionar frente aos decretos e medidas estabelecidos pelo governo?

As respostas para estas perguntas são complexas, envolvem inúmeros aspectos e riscos e precisam de mais do que soluções prontas. É necessário saber como agir e de que forma. Para Eduardo J. Valério, fundador e presidente da GoNext Governança & Sucessão, nunca foi tão importante para as empresas a presença de um fórum com serenidade para tomadas de decisão, além das reuniões das diretorias e gerência. “Governar uma empresa em tempos de crise diz respeito a, sobretudo, alocar a energia e as responsabilidades nos devidos lugares. Isso vai desde a definição na constituição e temas dos comitês de crise até a definição de temas abordados pelos conselhos de administração, evitando-se desperdício de energia e foco”, destaca. 

A governança corporativa é essencial para o equilíbrio na gestão. Em momentos de crise, se torna imprescindível. O papel de todos os líderes em momentos como este passa a ser testado no seu limite máximo, sendo que ao mesmo tempo tais profissionais se defrontam com questões pessoais, familiares e corporativas, todas num grau máximo de intensidade e acontecendo ao mesmo tempo, sem uma solução visível num primeiro momento. 

Neste contexto, os membros dos conselhos de administração e seus comitês podem compartilhar experiências, sugerir soluções e direcionar as medidas operacionais que possam mitigar os nefastos efeitos que já estão sendo sentidos no mercado como um todo. “É o momento de cooperação absoluta. Cooperação entre os órgãos de governança da empresa, conselheiros, executivos, clientes, fornecedores e assim sucessivamente. O que está sendo testado neste momento é a real capacidade que temos de nos reinventar como pessoas e como profissionais”, afirma.

As orientações dos conselhos são necessárias para enfrentar o inesperado, superar os obstáculos e buscar novas alternativas e oportunidades, além de se adaptar aos cenários que estão se construindo a cada dia. A adoção de estratégias proativas deve contemplar análise de riscos, desenho de cenários possíveis e prováveis, manutenção das operações, fluxo de caixa e gestão de clientes, fornecedores e de pessoas.

Essas ações, que também fazem parte da governança corporativa, contribuem para a preservação das relações e da intensa cooperação. “Serenidade, lucidez, conhecimento e habilidade na condução dos trabalhos são as características que farão a diferença neste momento. As empresas que souberem usar a governança corporativa a seu favor terão mais chances de sair da crise e de recuperar mais cedo os negócios”, acrescenta Valério.

GoNext Fórum reúne CEOs e presidentes de conselhos em evento extraordinário com superintendente do BRDE

GoNext Fórum: encontro extraordinário com superintendente do BRDE

Os CEOs e presidentes de conselhos que fazem parte do GoNext Fórum se reuniram em um encontro remoto extraordinário nessa quarta-feira (01/04) para conhecer as alternativas e linhas de crédito na crise da COVID-19 oferecidas pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Paulo Cesar Starke Junior, contador, mestre na área de finanças e superintendente do BRDE no Paraná e no Mato Grosso do Sul, foi o convidado do evento para conversar com os participantes sobre o assunto. 

O BRDE é um banco 100% público com 59 anos de história e atuação principal no financiamento de investimentos com prazo médio de nove anos. Com uma política conservadora, a instituição é considerada perene e com opções de crédito bastante sólidas. “O volume de recursos emprestados no mercado do Paraná é de R$ 5 bilhões, sendo que o prazo total médio é de nove anos. Atuo no BRDE desde 2002 e tenho orgulho de trabalhar na instituição, pois nosso foco é ajudar os empresários que possuem boa governança corporativa e as melhores práticas de finanças”, afirmou.

No cenário atual da pandemia da COVID-19, o superintendente ressalta que o aumento da demanda por financiamentos deu um salto – foram 400 pedidos em apenas uma semana. Além disso, 74% dos clientes registraram o pedido de prorrogação dos contratos para suspender o pagamento das parcelas durante seis meses. “Para o enfrentamento da COVID-19, temos como objetivos prover capital de giro e suspender os pagamentos visando a recuperação da economia frente aos impactos da pandemia, a retomada do crescimento econômico e a manutenção dos empregos e da renda”, destacou. 

As medidas de contingência da pandemia da COVID-19 geram um ciclo perigoso, no qual uma ação leva a outra: isolamento social > queda no consumo e nas vendas > retração dos bancos privados > aumento do desemprego > queda na arrecadação > estagnação da economia. Neste contexto, os principais obstáculos para o crédito contracíclico são as garantias reais, a percepção de risco elevada, a carência para os pagamentos, a agilidade no crédito e a retração dos bancos privados. 

Para minimizar as consequências da crise, o BRDE oferece diferentes modalidades de financiamento, como R$ 150 milhões de novos recursos para microcrédito (parceria com a Fomento PR) e capital de giro para todos os portes de empresa, programa de investimentos pós-crise com R$ 500 milhões de novos recursos e repactuação de pagamentos com carência de seis meses, sendo que o montante total dos contratos que serão repactuados chega a R$ 800 milhões.

Capital de giro e microcrédito

O público-alvo para destinação dos R$ 150 milhões de novos recursos são micro, pequenas e médias empresas de todos os segmentos e grandes empresas do setor de comércio e serviços. Dependendo do porte da empresa, é possível obter um crédito que varia de R$ 200 mil a R$ 1,5 milhão. O prazo de pagamento é de até 24 meses de carência + 36 meses para amortização, totalizando 60 meses, com taxas de juros a partir de 0,55% ao mês (considerando a SELIC em 3,75% aa). A concessão do financiamento exige garantias reais, normalmente feitas com imóveis. 

Para valores abaixo de R$ 200 mil, o financiamento deve ser feito com a Fomento PR e não há exigência de garantia real.

Repactuação de pagamentos

A suspensão de pagamentos visa renegociar os contratos de micro, pequenas e médias empresas, com exceção dos de taxa fixa como crédito rural, PSI e FINEP, para dar carência integral (principal + juros) durante seis meses. Serão mantidas as taxas de juros originais dos contratos, sem acréscimo de multas ou outras penalidades para os adimplentes até março de 2020. Para repactuar o contrato, o cliente deve fazer a adesão online pelo site do BRDE, de maneira fácil e rápida, sem exigência de garantias adicionais. 

Investimentos pós-crise

Com montante de R$ 500 milhões, o BRDE também possui uma linha destinada a empresas de qualquer porte para investimentos no pós-crise. A prioridade será para os setores de infraestrutura, como energia renovável, saneamento e transporte, indústria, comércio e serviços, agronegócio em todas as etapas da cadeia produtiva e inovação tecnológica. O valor máximo, os prazos de pagamento e as taxas de juros serão definidos conforme a necessidade do projeto. As garantias seguirão as políticas de garantia do banco. 

“Nosso atendimento é sempre rápido, mas, devido à alta demanda, estamos com um prazo de três dias em média para retornar o contato. Em relação ao prazo para obter o dinheiro do financiamento, eu diria que em uma meta ousada é possível conseguir em 60 dias, em média, se toda a documentação estiver completa. Nossa equipe está se revezando no trabalho presencial e home office, mas todos estamos trabalhando para atender da melhor forma possível”, acrescentou o superintendente.