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GoNext Fórum debate Cultura de Inovação nas empresas

Cultura de Inovação nas empresas

Nesta quinta-feira, 13, o GoNext Fórum convocou Paulo Sérgio Silva, popularmente conhecido como Paulão, para compartilhar experiências em relação à essência de uma “Cultura de inovação nas empresas”. 

 

Paulão é fundador e diretor executivo da RockOn Advisors, além de membro independente de conselhos de empresas como Ri Happy, Marisa e Marilan. São mais de 25 anos liderando times e desenvolvendo estratégias de resultados. ⠀

 

O especialistas foi CEO do Walmart.com Brasil e Vice-Presidente global da área comercial do portal Terra, reunindo cases que comprovam seu pioneirismo na transformação digital com alcance em toda a América Latina, desde os anos 1980.

 

O primeiro passo da conversa foi desmistificar de onde nasce a transformação digital de um negócio. “Contratar um profissional que entende de digital, na maioria dos casos, não é o que vai acelerar sua empresa. A transformação digital precisa ser uma agenda do chairman, do CEO, do presidente do conselho”, provocou Paulão. “O quanto estou estruturando o primeiro escalão da companhia a efetivamente pensar diferente e raciocinar com a cabeça da internet? Comece por aí”, orientou.

 

Transição para a jornada digital

Isso reflete a transformação do modelo mental dentro das organizações: pensar a resolução de problemas tendo o cliente como indivíduo (não mais um ticket médio), e as soluções digitais como norte desta resolução.

 

“No futuro, todas as empresas serão de tecnologia. Se você vende biscoito, você precisa ser uma empresa de tecnologia”, argumentou o especialista. “Temos que sair da visão de que tecnologia é projeto e trazer a tecnologia para o coração das tomadas de decisão.”

 

A ideia central é investir em assimilar a movimentação comportamental do nosso tempo. Existe também, nessa ideia, a quebra de hierarquias e de segmentação de áreas. “O profissional de marketing precisa entender de tecnologia. Assim como em todas as áreas. O Big Data passa a ser o core das organizações. Você não vai caminhar se não for movimentado a dados”.

 

As diferentes áreas da organização precisam dialogar com a tecnologia, para que ela esteja no centro do planejamento estratégico do seu negócio. 

 

Uma nova economia, um novo olhar para os resultados

No dia a dia, o salto de qualidade para uma cultura de inovação está na conexão entre tecnologia e o exercício contínuo de uma mentalidade aberta ao novo.

 

Para isso, é preciso investir um bom tanto de desapego à forma de mensurar resultados que ainda estão no passado. 

 

“A gente tá acostumado a um arcabouço tradicional de resultados. A gente faz reuniões debatendo os números do passado. Companhias digitais que estão valendo bilhões de dólares hoje no mercado não estão apegadas a essa lógica de dividendos aos acionistas como era padrão antes”

 

Não sobre abrir mão dos resultados financeiros, mas saber que o que gera valor na área digital não está restrito ao recorte de resultados financeiros, dividendos dos acionistas, investimentos na organização. “Um exemplo disso é o Lifetime Value, quantas vezes o cliente vem até minha plataforma, quanto tempo ele passa no meu ambiente digital. Métricas que não geram valor econômico imediato, mas que precisam entrar na sua interpretação de valor”, orientou.

 

Segundo Paulão, essa é a forma de olhar para o futuro. Pensar o seu negócio pelo modelo de Mandala Digital. “A mandala digital é o esquema em que cada parte de transformação, cada área coordenada, te ajuda na narrativa de valor, convergindo em valor. Assim, consigo trazer talento, investimento e a transformação de posicionamento da organização”, explicou o profissional, apresentando o case da Marisa, que evoluiu da narrativa “De mulher para mulher” para “A plataforma da mulher brasileira”.

 

Pessoas são o foco: dentro e fora da empresa

Paulo Sérgio apresentou como as pessoas têm ressignificado o valor das empresas. Seja da porta para fora, seja da porta para dentro.

 

“A nova geração quer atenção. Isso não é baixa resiliência. Essa geração quer ser percebida e esse talvez seja um dos maiores desafios dos CEOs”, apresentou Paulão. 

 

A geração hiperconectada sabe lidar com muitas transformações e com a dinâmica de uma cultura inovadora. Mas eles só respondem com engajamento e ideias inovadoras se eles se sentirem indivíduos ouvidos. Por isso, a importância de reorganizar as empresas em Sprints, segmentar por projetos, e não unicamente por departamentos.

 

Da mesma forma, os consumidores exigem mais agilidade na resposta individual e dão cada vez mais valor à experiência que ao preço. “A experiência que se oferece na loja deve ser tão qualificada quanto a que se oferece no digital. O consumidor não vai mais fazer distinção entre on-line e off-line. Ele vai querer experiência.”

 

“Nós já saímos da geração que foi doutrinada a ver valor em ‘10X sem juros, frete grátis, maior desconto’, para a geração que ‘quer agora, com experiência incrível’. Isso vai te tirar do mundo do preço mais baixo e te colocar no mundo da evolução do consumidor”, finalizou.

 

GoNext Fórum

O diferencial do sucesso de um negócio está na visão de futuro dos tomadores de decisão. Por isso, o GoNext Fórum reúne CEOs, presidentes de conselhos e demais lideranças em uma programação de eventos focada no amplo debate sobre interesses comuns de todos os agentes da alta gestão que querem se destacar no mercado do amanhã.

 

Espaço plural de trocas de experiências com especialistas e executivos de empresas de diferentes segmentos e de empresas familiares de todos os portes.

GoNext Fórum debate o perfil do líder chinês Xi Jinping na trajetória de hegemonia comercial do país

A China é um grande ponto de interrogação e desafia nossos conceitos e preconceitos sobre a organização geopolítica do mundo. A noção de “comunismo” do próprio país é elástica no que tange à economia e converge em um crescimento desenvolvimentista que supera os moldes capitalistas ocidentais. Para iniciar a agenda de encontros do GoNext Fórum de 2021, convidamos Fausto Godoy para explicar, no encontro online realizado no dia 4 de fevereiro, a China de hoje e o que direciona a nação em seu projeto de futuro.

 

Fausto Godoy é doutor em Direito Internacional Público pela Universidade de Paris, tendo ingressado na carreira diplomática em 1976. O pesquisador serviu nas Embaixadas do Brasil em Bruxelas (1978), Buenos Aires (1980), Nova Delhi (1984), Washington (1992) e Tóquio (2001). Foi designado embaixador junto aos governos do Paquistão (2004) e Afeganistão (2005) e serviu posteriormente em Hanoi (2007), Consulado do Brasil em Tóquio, Escritório Comercial do Brasil em Taipé, e nas Embaixadas do Brasil em Bagdá (sediada em Amã), Daca, Astana e Yangonoi Cônsul-Geral do Brasil em Mumbai (2009).

 

Hoje, Godoy é membro da Diretoria da Câmara de Comércio Brasil-Índia e coordenador de Estudos e Negócios Asiáticos na ESPM.

 

A palestra do GoNext Fórum começou com comentários e análises do pesquisador sobre a participação do líder chinês Xi Jinping na edição virtual do Fórum Econômico Mundial, realizada no dia 25 de janeiro. Na transmissão, o representante chinês anunciou ao mundo a erradicação da pobreza absoluta na China em 2020, ano marcado por desafios econômicos e sociais.

 

O que isso diz dos projetos chineses? Pouco mais de uma semana depois do anúncio, a GoNext trouxe Godoy para apresentar aos integrantes do GoNext Fórum como compreender quem é Xi Jinping e como ele sustenta alguns pilares da civilização chinesa até hoje, mas com uma conexão contemporânea com a própria população e com os arranjos econômicos globais.

 

Compreendendo a nação e o líder Xi Jinping

“Quantos países a China invadiu para tomar território? Nenhum. A questão territorial para a China não é importante. Ela nunca se viu como país geográfico, ela se vê como civilização”, explica Fausto Godoy, que teve quase duas décadas de trabalho e residência em países asiáticos.

 

Segundo o pesquisador, Xi Jinping retoma em seus discursos, desde que assumiu a presidência da República Popular da China em 2013, a superação do país em relação ao mundo depois do que os chineses chamam como o século das humilhações. 

 

Esse conceito refere-se à experiência chinesa diante do imperialismo da coroa britânica e dos próprios vizinhos asiáticos que resultou em perdas significativas de soberania no decorrer do século XIX. Século esse marcado pelas disputas territoriais e imperialistas.

 

Godoy apresenta que, em 2018, o Congresso Nacional Popular aprovou a remoção do limite de dois mandatos na presidência da China. Portanto, analistas arriscam a dizer que o atual mandato de Xi Jinping pode ser vitalício e baseado em pilares estruturais da civilização chinesa. 

 

“O século XIX foi o século do ‘eu’ no ocidente. Para a China, foi a consolidação do Confucionismo, sistema filosófico amplo sobre a ideia de ‘nós’”, explica Godoy, ao indicar que o impacto dessa filosofia foi moral, político, pedagógico e religioso.

 

Além dessa organização, a China permanece ligada à ideia do mandato do céu, um líder que está legitimado a pensar e atuar pelo todo, como em uma missão divina pela civilização.

 

Xi Jinping reúne todas essas características e consegue, à chinesa, expandir o alcance econômico do país, remontando os ideais dos três grandes líderes chineses que projetaram a dominação global do país após o “século das humilhações: Sun Yat-sen, que arquitetou as estruturas da revolução que fundou a República, Mao Zedong, fundador do movimento ‘Nova China’, e Deng Xiaoping, responsável pelas reformas econômicas que “abriram” a economia chinesa ao mundo.

 

Made in China 2025 e a nova hegemonia chinesa

“Em 1993, o PIB da China era equivalente ao do Brasil, 300 mil dólares a mais do que o nosso à época. Hoje, como explicar a diferença entre os PIBs?”, provocou os participantes ao apresentar os planos econômicos chineses que resultaram em um crescimento do PIB de 2,3% em 2020.

Aproveite para conferir o Relatório do Escritório Nacional de Estatística da China sobre a recuperação do país em 2020.

 

“O século das humilhações ainda é um trauma psicosocial dos chineses e impulsiona o país a liderar a economia mundial até o fim do século XXI. O que a China quer agora é o mundo, conduzidos pelos valores da filosofia confucionistas”, explica Godoy.

 

“A China é o principal parceiro comercial de pelo menos 124 países. E o que tem mudado nos últimos anos é a qualidade dessas parcerias, pois ela exportava produtos de tecnologia média. Com o plano Made in China 2025, de 2015, o país mudou esse perfil, quando elencou 10 setores da economia para promover avanços, reduzindo a dependência de tecnologia do país e se transformando em exportadora de alta tecnologia”, apresentou o especialista.

 

Todo o crescimento industrial da China está pautado neste plano de desenvolvimento, tendo como território-chave o Delta do Rio das Pérolas, onde se concentram as grandes zonas tecnológicas do país. “É o Vale do Silício da China que concentra esses 10 setores de tecnologia de ponta, já em uma rota de exportação estratégica”, comenta.

 

Confira abaixo, os 10 setores-chave do plano Made in China 2025:

  • Eletrônicos e microchips
  • Máquinas agrícolas
  • Novos materiais
  • Eficiência energética, energia renovável e carros elétricos
  • Controle numérico e robótica
  • Tecnologias da Informação
  • Tecnologias aeroespaciais
  • Equipamentos ferroviários
  • Engenharia oceânica e navios de última geração
  • Dispositivos médicos avançados

 

Os resultados desse plano são práticos – como vimos acima nos resultados de PIB -, mas também na liderança mundial da tecnologia 5G, protagonizada pela empresa chinesa Huawei.

 

“A China ainda pretende, pela atuação de Xi Jinping, criar uma nova Rota da Seda, que foi responsável pela dominação global da economia chinesa até o século XIX. Essa nova rota, tecnológica, irá restaurar a união comercial entre Ásia, Europa e África”, apresentou Godoy.

 

Desafios da China

“Apenas um terço da China é agricultável e o país enfrenta um crescimento populacional desigual”, comentou Fausto Godoy, apresentando que o buraco populacional do país desde os anos 70 é grande e tende a se manter assim.

 

A urbanização é tema fundamental no século XXI para a China. Das 10 cidades mais populosas do mundo, apenas Nova Iorque é ocidental.

 

Nesse cenário, as políticas de 1 só filho dos anos 70 resultaram no envelhecimento da população, a urbanização ágil e a necessidade cada vez maior de pactos comerciais que ajudem a China a alimentar sua população.

 

Assim, o Brasil pode ser estratégico nessa balança. E já temos bons indícios, com a soja e a celulose brasileiras ganhando mais espaço nas exportações para a China

 

Ao final da palestra, todos os participantes puderam tirar dúvidas e dialogar sobre os diversos temas que colocam a China na pauta central da evolução dos negócios brasileiros.

 

Aproveite e confira abaixo a participação do presidente chinês, Xi Jinping, no Fórum Econômico Mundial:

Os Fóruns GoNext são iniciativas que visam o aprimoramento de competências, networking qualificado, além de outras iniciativas. Conheça nossos Fóruns: GoNext CEO e GoNext Presidentes de Conselho.

 

GoNext Café – Preparando-se para superar cenários tempestuosos

GoNext Café

Nesta sexta-feira, 11/12, realizamos o GoNext Café, um espaço de confraternização online que reuniu Presidentes de Conselhos e CEOs, integrantes do GoNext Fórum, para celebrarmos as conquistas e superações de 2020. O momento foi de descompressão, incentivando diálogos para realinhamento de perspectivas e inspiração para o novo ano.

 

Para cumprir essa missão, o GoNext Café teve início com a palestra “Preparando-se para superar cenários tempestuosos – A Travessia do Drake”, ministrada por Pedro Lins, consultor, mentor, conselheiro e palestrante, e por Beto Pandiani, velejador, escritor e palestrante.

 

A analogia proposta pelos palestrantes é exata ao provocar reflexões sobre quais ferramentas nos fortalecem na travessia inevitável de caminhos imprevisíveis. O Drake é uma passagem de quase mil km entre América do Sul e Antártida. Uma travessia de 42 dias, com previsibilidade de chances de sucesso de 5%.

 

Enxergar-se capaz diante do imprevisível

“O ano de 2020 foi atípico, e a gente enxerga esse paralelo com a travessia do Drake. Vocês são grandes navegadores que precisam fazer grandes travessias nas suas empresas, onde clima, mar e vento são, muitas vezes, imprevisíveis”, apresentou Pedro Lins ao abrir a palestra.

 

Pedro Lins é Master é mestre em Administração Pública pela Harvard Kennedy School (HKS) e Conselheiro de Administração/FDC, com mais de 38 anos de experiência desenvolvendo projetos e palestras nas áreas: Liderança e Confiança; Competitividade Sustentável e Perenidade; Ética e Compliance; Gestão Contemporânea e de Multistakeholders; Conselho-Governança; entre outros. 

 

Quando o desafio é muito grande, descobrimos novas ferramentas e novas habilidades que nos impulsionam adiante. Beto Pandiani aprendeu, com a experiência de mais de 38 anos, quais elementos, de fato, fazem a diferença para chegar seguro ao destino desejado.

 

Experiência com cenários tempestuosos não faltam a Pandiani. Ele é campeão Norte Americano de regatas na Classe Hobiecat 16, organizador e realizador de expedições. Autor do livro O mar é minha Terra e mais cinco livros fotográficos pela Editora Terra Virgem.

 

Elementos essenciais para travessias tempestuosas

Em 2003, para chegar na Antártica, Beto Pandiani e seu parceiro de vela Duncan Ross empreenderam um feito inédito: atravessaram a passagem do Drake, rumo à Antártida, a bordo de um catamarã de 21 pés.

 

“Nunca sabíamos se chegaríamos na Antártida, mas nunca duvidamos da nossa capacidade. Podemos ir muito mais longe do que supomos, com muito menos do que imaginamos”, apresentou o velejador.

 

Mas é possível se preparar. O seu olhar para o que você está fazendo vai ser o ponto de partida que vai dar o tom do seu perfil de atuação. Pedro contribui com um pensamento importante para se dar o primeiro passo da travessia. “Velejar não é sobre a aventura. Mas é sobre preparação, estudo, logística, ciência e arte. Também é trabalho e quem se sai bem é quem se coloca com responsabilidade”, disse Pedro.

 

Beto Pandiani trouxe, para o GoNext Café, o que pode aguçar essa visão estratégica:

 

  • Confiança em quem sabe mais (a importância de parcerias qualificadas)
  • Informações de qualidade (pesquisa, estudo e responsabilidade)
  • Espiritualidade (o quanto isso te ajuda a desenvolver a força interna, independente de qual seja a sua fonte)
  • Consenso (tomada de decisão e senso coletivo)
  • Segurança em 1º lugar

 

“É preciso ter em mente que senso de coletividade e bom humor são imprescindíveis. O humor descomprime. As partes intuitiva e criativa funcionam muito melhor com humor. Não existe harmonia e amizade onde o mau humor está”, finaliza Pandiani.

 

O GoNext Café teve espaço para perguntas dos CEOs e Presidentes de Conselhos ao final da palestra. Diálogos salutares, leves e importantes para que possamos partir para 2021 com o destino final bem alinhado e com consciência sobre quais elementos devem estar à mão nessa próxima travessia.

 

A GoNext agradece a todos os participantes que puderam compartilhar este momento de confraternização e aprendizado no GoNext Café.

 

GoNext Fórum – perspectivas e desafios para 2021: a transição da retomada para o crescimento

Na última quinta-feira-, 26/11, o GoNext Fórum, evento que conta com a presença de CEOs e Presidentes de Conselhos, recebeu o convidado Marcelo Azevedo, Gerente de Análise Econômica da CNI, Confederação Nacional da Indústria. Marcelo dividiu com os presentes as perspectivas e os desafios para 2021 em relação ao período de transição para a retomada do crescimento, um assunto de extrema relevância no pós-pandemia.

O palestrante iniciou o encontro evidenciando os números de 2020, em como estava o cenário antes da pandemia atingir o Brasil, em março. De acordo com Marcelo, o país vinha se recuperando gradualmente da forte crise que iniciou em 2014 e se estendeu até 2016. Mesmo que, no caso da indústria, a recuperação estivesse bastante lenta, as projeções para 2020 eram bastante positivas.

“Já no início do ano, com a Ásia sofrendo com os impactos da Covid-19 desde dezembro do ano passado, os primeiros indícios de que o problema seria muito maior que o esperado começaram a aparecer. A indústria, sobretudo a de eletrônicos, começou a sofrer pela crescente falta de componentes, ocasionando uma forte queda sem precedentes de produção, vendas e volume de serviços”, comentou.

“O efeito da falta de matéria-prima na indústria foi imediato, nem deu tempo de acumular estoques e isso agravou ainda mais a situação, ocasionando uma agressiva diminuição das vendas”, enfatiza Marcelo. Por outro lado, a recuperação também tem sido bastante forte e rápida, sendo os últimos meses de agosto e setembro um reflexo positivo para a economia.

Desafio, a retomada para o crescimento

Para Marcelo, um dos principais problemas para o Brasil voltar a crescer é a competitividade. O país possui muitos problemas com taxas, tributação e sistema logístico, o que dificulta muito todo o processo. “Assim que o Brasil voltar a crescer com o passar da crise, nós voltaremos a esbarrar nessas velhas questões”.

“Um ponto positivo que pode ser destacado são as taxas de juros, que atualmente estão no menor nível da série histórica”.

Em contrapartida, o elevado desequilíbrio fiscal é um fator determinante para a retomada do crescimento, que na opinião do convidado, só perde em nível de preocupação para uma possível segunda onda de casos no país, como tem acontecido com grande expressão na Europa. 

Em relação aos insumos, Marcelo compartilhou com os presentes uma sondagem especial elaborada pela CNI, que pode trazer uma luz sobre o problema de matéria-prima para o próximo ano, incluindo o panorama de indústrias de pequeno, médio e grande porte, de diferentes segmentos.

Após a apresentação dos números, os participantes do evento puderam fazer perguntas ao convidado, o que gerou um rico e importante debate sobre o que podemos esperar no próximo ano. Quer fazer parte deste seleto grupo, participar dos encontros e debater sobre temas atuais e de extrema importância para os negócios? Acesse https://bit.ly/3dQWHH0 e saiba como garantir sua presença.

Reforma tributária é tema do GoNext Fórum

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O economista e tributarista Luiz Carlos Hauly, autor da PEC 110, falou sobre a urgência de mudanças na tributação brasileira e explicou sua proposta em videoconferência mediada pela jornalista econômica Mirian Gasparin

O GoNext Fórum realizado na última quinta-feira (27), teve dois convidados especiais: o ex-deputado federal, economista e tributarista Luiz Carlos Hauly, autor da PEC 110, que está sendo analisada no Senado, e a jornalista econômica Mirian Gasparin. Hauly defendeu a necessidade da reforma tributária no Brasil e explicou os principais pontos de sua proposta, a PEC 110, que está em análise no Senado e é considerada de interesse nacional para destravar a economia brasileira.

Durante a videoconferência, Hauly explicou que o Brasil tem enfrentado uma queda na participação do PIB mundial desde 1980, sendo que nos últimos 10 anos o cenário ficou ainda pior. Com alta carga tributária, as empresas, especialmente o setor produtivo, buscam caminhos alternativos para fugir da tributação. Desta forma, a economia perdeu o vigor e na década de 2011-2020 o crescimento anual do PIB foi de 1%., enquanto a economia mundial cresceu em média 3% ao ano. “Para atingirmos o crescimento dos países emergentes vamos levar 90 anos neste ritmo. Desde 2015, a economia entrou em recessão e não saiu e agora vem um novo prejuízo econômico com a crise. O PIB de 2020 é do tamanho do de 2014 e é negativo. Todas as empresas, trabalhadores e o governo estão no mesmo barco afundado. Qual a explicação? Na minha opinião é resultado do sistema tributário”, destacou.

Cenário tributário

O especialista esclareceu que em 1965 foi criada uma base tributária que dividiu o consumo e os serviços, com distribuição entre os estados e municípios, enquanto o governo federal ficou com o imposto de renda. Com a Constituição de 1988, a União aumentou os tributos e perdeu mais impostos para os governos estaduais e municipais. De 1989 a 2019 foram feitas 17 reformas fatiadas, resultando em aumento da sonegação e da inadimplência. Para se ter uma ideia, atualmente o sistema tributário inclui impostos no consumo (PIS, COFINS, PASEP, IPI, IOF, CID, ICMS, ISS), na folha salarial (INSS, Funrural, FGTS), renda (IR e CSLL) e propriedade (IPTU, IPVA, ITR, ITBI, ITCMD).

“O sistema é complexo, com excessiva carga tributária no consumo e baixa carga na renda. O imposto não pode ser mais declaratório, tem que ser calculado pelo Estado. O recolhimento não pode ser uma iniciativa do contribuinte, mas ser automático. As transações bancárias não têm suporte contábil e necessitam ter, além disso a alta carga tributária no consumo deve ser adequada. Além disso, hoje há autonomia legislativa tributária dos entes federados e é preciso fazer a unificação legislativa tributária da base de consumo e os impostos devem deixar de ser cumulativos”, apontou.

Para se ter ideia, 49,7% da arrecadação brasileira é proveniente do consumo, enquanto 21% tem como base a renda. Já nos EUA, 17% tem como base o consumo e 49,1% a renda. Segundo Hauly, não é possível copiar o modelo americano, mas muito pode ser mudado no atual sistema brasileiro, que é “anárquico e caótico, quem pode mais, chora menos”.

PEC 110/2019

A proposta do economista, chamada de Reengenharia Tributária, Tecnológica, Fraterna e Solidária, propõe três pilares para a reforma tributária. O primeiro é uma simplificação radical, com alterações na cobrança do consumo (IBS), previdência (INSS), renda (IR) e propriedade (IPTU, IPVA, ITR, ITBI, ITCMD). O segundo pilar é o uso da tecnologia para as cobranças por meio de pagamentos, o modelo Abuhab. Desta forma, o imposto será calculado pelos sistemas de ponto de venda de cada estabelecimento e na transação será destacado o valor do tributo. Os sistemas de meios de pagamento farão os depósitos ao CNPJ emitente já líquidos de impostos. O terceiro pilar é o fraterno e solidário, com redução de 53,9% para 18% da carga tributária para quem ganha até dois salários mínimos, e redução da tributação sobre itens como alimentos e remédios.

A previsão é que a reforma tributária proposta pela PEC 110/2019 resulte em ganhos de cerca de 7% do PIB ao ano, cerca de R$ 500 bilhões. Outros benefícios são aumento da competitividade, credibilidade, segurança jurídica, desburocratização, pleno emprego, transparência, crescimento sustentado, atração de investimentos e criação de um novo círculo econômico virtuoso e perene.

Reforma tributária: vai acontecer?

Mirian aproveitou o encontro para perguntar se Hauly acredita que a reforma tributária vai ser aprovada ainda este ano. “A tributação é muito complexa no Brasil. Hoje, os brasileiros estão sujeitos ao pagamento de um total de quase 90 tributos. Isso tem afetado a população, que anseia muito por uma reforma tributária. Dos meus 46 anos de jornalismo, 44 eu passei ouvindo empresários, escrevendo sobre os diversos planos e nunca foi feita uma reforma realmente, somente remendos”, ressaltou ela.

O economista acredita que a reforma será grande e mesmo com a pandemia da COVID-19, será aprovada. “A reforma tributária é um ganha-ganha, ninguém perde. Porque vai diminuir a carga tributária, desonerar as empresas e famílias, facilitar o ambiente de negócios, voltar a gerar empregos, melhorar salários e poderes aquisitivos e criar um novo ciclo virtuoso. O governo vai ganhar, o país vai crescer e consequentemente vai aumentar a tributação. Nós vamos criar um ambiente único, o comércio estará imune, porque o imposto será pago pelo consumidor. O que temos que fazer é a conciliação que está sendo feita politicamente e tecnicamente, acolher a proposta do governo e espantar a CPMF, que não tem necessidade de ser implantada”, acrescentou.

O economista evidenciou ainda que com a reforma será possível economizar cerca de 80% com o custo da burocracia no modelo Abuhab. Caso aprovada, a proposta de Hauly precisa de um ano para testar o modelo de cobrança e mais quatro anos para fazer a transição total. “Estamos oferecendo um modelo enxuto e simples, que acaba com a guerra fiscal e a burocracia. Estamos em sintonia com o que há de melhor para o Brasil”, concluiu.

Para finalizar o debate, Mirian declarou: “precisamos de empresas fortes, que inovem e promovam empregos. Nosso país sofreu muito. Vamos torcer para que realmente haja uma reforma tributária o mais rápido possível e que ela seja justa”.

Logística e supply chain no pós-pandemia é tema do GoNext Fórum

Logística e supply chain no pós-pandemia é tema do GoNext Fórum

Um setor fundamental para a economia que vem se transformando e acompanhando as demandas do mercado com a ajuda da tecnologia é o de logística. Devido à sua importância, o GoNext Fórum convidou Carlos Cesar Meireles Vieira Filho, CEO da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol) e vice-presidente da Associação Latinoamericana de Logística (ALALOG), e Djalma Vilela, membro do GoNext CEO e diretor executivo da Multilog, considerada uma das maiores empresas logísticas do Brasil, para falarem sobre as perspectivas desta área e do supply chain no pós-pandemia aos CEOs e presidentes de conselhos.

De acordo com Vieira Filho, o setor de logística em nível mundial começou com transporte rodoviário de cargas e armazenamento, se expandindo e desenvolvendo novos negócios, cada um com suas particularidades. “Tivemos alguns marcos épicos, como o fim da Guerra Fria, a Constituição de 1988 – que permitiu que os ativos de logística fossem transferidos para o setor privado por meio de licitação –, o fim da inflação em 1994 e o ingresso de operadores estrangeiros no Brasil em 1995. O setor passou a ter um caráter multimodal, utilizando vários regimes fiscais, e hoje é essencial para a economia”, destaca o CEO, que tem mais de 24 anos de experiência como executivo na área operacional e em novos negócios de operadores logísticos e portuários.

Vieira Filho também explica que as empresas que ganharam esta nova formatação se depararam com insegurança jurídica e outros desafios. Com a criação da Abol, em 2012, foi possível ter uma visão mais integrada. Entretanto, sem haver uma classificação nacional de atividade econômica definida e existindo muitos espaços “cinzentos” entre as legislações, a instituição, em conjunto com outras organizações, fez um estudo aprofundado e definiu que o operador logístico é a pessoa jurídica capacitada a prestar, através de um ou mais contratos, por meios próprios ou intermédio de terceiros, os serviços de transporte em qualquer modal, de armazenagem em qualquer condição física ou regime fiscal e de gestão de estoques. Para determinar o tamanho do mercado, a associação está finalizando um estudo em parceria com outras entidades visando revelar dados como número de empresas, empregos diretos e indiretos, montante de encargos e tributos recolhidos e faturamento. O levantamento deve ser finalizado e divulgado em breve.

Operadores logísticos no pós-pandemia

Durante a pandemia da COVID-19, os operadores logísticos foram reconhecidos como “serviços essenciais” e se consolidaram como provedores de soluções integradas, focadas em excelência operacional, segurança, competitividade, compliance, inovação tecnológica e sustentabilidade. Aspectos como gestão de riscos e custos, saúde ocupacional e eficiência ganharam ainda mais destaque na agenda do setor. “As melhores práticas se tornaram elementos de diferenciação entre as empresas e a meta sempre será o nível de excelência. A implementação de tecnologias como a internet das coisas, big data, inteligência artificial, automação, robótica, multichannel, crosschannel e omnichannel faz parte da demanda e da necessidade do mercado. Essas tecnologias já fazem parte do nosso universo e estarão cada vez mais presentes no novo normal”, observa Vieira Filho.

Expansão do e-commerce

O CEO da Abol também evidenciou a expansão do e-commerce durante a pandemia. De acordo com o site e-commerce Brasil, o faturamento do setor em 2019 foi de R$ 75 bilhões. Para este ano, a expectativa é de R$ 100 bilhões. Somente em abril de 2020, o e-commerce faturou R$ 9,4 bilhões, um aumento de 81% em relação ao mesmo período do ano passado. Com a COVID-19, houve um crescimento de 400% no número de lojas virtuais. “O avanço do e-commerce é um caminho inexorável e os operadores logísticos estão totalmente envolvidos neste setor”, aponta.

Expectativas para o futuro

Vieira Filho afirma que será necessário repensar as cadeias globais de suprimentos e cadeias produtivas para haver menor dependência externa e fortalecer e diversificar a indústria nacional. “As empresas terão que ser mais flexíveis, ágeis, inclusivas e menos conservadoras. Também haverá mudança na mobilidade urbana, consolidação do home office e do coworking e mudanças nos hábitos e práticas de consumo. Um repensar geral entre o físico e o digital. Assim como o pós 11 de setembro trouxe uma nova ordem mundial no campo da segurança antiterrorismo, o pós-COVID-19 trará novos protocolos, rotinas e práticas para a segurança sanitária.”

Também será necessário melhorar e investir fortemente em infraestrutura, construir um novo pacto social para minimizar as desigualdades e a concentração de renda e realizar a reforma tributária para que o Brasil melhore seus índices e posições em rankings mundiais importantes, como o Doing Business, o Logistics Performance Index (LPI) e o Relatório do Fórum Econômico Mundial.

Multilog

Dentro de todo o panorama exposto, Vilela destaca como a Multilog investe em novos processos, na automatização e na aquisição de competências para acompanhar as demandas do mercado, especialmente no que diz respeito ao e-commerce. “Nós temos investido em tecnologia e inteligência artificial. Desenvolvemos um avatar na área de recursos humanos e queremos levar isso para a experiência do cliente no ano que vem. Temos o Gênius, que é um sistema na palma da mão para o cliente acompanhar toda o accountability da logística desde a chegada da mercadoria no Brasil. O nível de investimento é de alguns bilhões de reais, no sentido de trazer mais tecnologias, mais plataformas de inovação. O setor é dinâmico, e a Multilog tem um plano bem traçado para seu crescimento”, acrescenta o diretor, que tem mais de 20 anos de experiência na área de logística em empresas multinacionais e nacionais de grande porte.

Especialistas falam sobre cenário econômico mundial e a preservação do patrimônio no GoNext Fórum

Especialistas falam sobre cenário econômico mundial e a preservação do patrimônio no GoNext Fórum

A preservação do patrimônio depende, entre outros fatores, da análise da economia global. Em meio a uma crise, como a atual, analisar as perspectivas da economia é ainda mais importante para minimizar os riscos de perda permanente do patrimônio e garantir sua perpetuação ao longo dos anos. Dada a importância do tema, o GoNext Fórum convidou Rafael Cavalieri, vice-presidente do Private Wealth Management da Goldman Sachs, em Miami, e Matheus Dibo, vice-presidente do Investment Strategy Group (ISG), em Nova York, para um debate com os CEOs e presidentes de conselho.

Dibo, especialista em oportunidades de investimentos em ações de países emergentes, fez uma análise da economia mundial e destacou principalmente o cenário dos Estados Unidos e do Brasil. Para entender o contexto atual, Dibo explicou que a Europa deixou de ser o epicentro da pandemia da COVID-19 devido a eficácia das políticas públicas implementadas para conter o avanço da doença.

Nos EUA, o número de casos tem aumentado, entretanto, o de mortes não apresenta crescimento. Isso se deve ao fato do aumento da testagem na população, do contágio afetar a população jovem, que é mais resistente ao vírus, e o preparo de médicos e hospitais que já enfrentam o problema há quase seis meses. Enquanto o número de mortes não aumentar, o risco de medidas de restrição é menor. Mesmo assim, é um risco que deve ser monitorado de perto.

Em relação aos países emergentes, apesar da demora em serem afetados, o crescimento do número de casos continua. A grande preocupação é que a capacidade destas regiões para lidar com a pandemia é muito menor comparada a dos países desenvolvidos.

Recuperação econômica

O processo de recuperação econômica dos EUA tem sido gradual. Segundo Dibo, o impacto da crise é persistente na economia americana e a expectativa é que seja dissipado em 2022. A queda de 33% nas atividades econômicas é sem precedentes na história do país, por isso a recuperação do segundo semestre não é suficiente para compensar os resultados negativos do primeiro semestre, sendo que a previsão é de uma contração de 4,2%.

Graças às políticas fiscais adotadas pelo governo e as ações monetárias realizadas pelo Banco Central, ambas consideradas agressivas principalmente por ações como injeção de liquidez para repor a perda de renda, empréstimos que não precisam ser pagos já e corte de juros, a economia americana irá se recuperar de uma forma saudável.

“A expectativa de contração na economia mundial é de 3,4% este ano. No âmbito global estamos falando de mais de 6% do PIB mundial em estímulos fiscais para ajudar a conter os impactos negativos da crise. No curto prazo evita uma contração ainda maior da atividade econômica e a longo prazo aumenta a dívida, é uma faca de dois gumes”, destaca.

Cenário brasileiro

Dibo observa que a expectativa para o PIB brasileiro é uma contração de 7,7%, voltado a um patamar menor do que o registrado em 2010. “Infelizmente é uma década perdida. A recuperação em 2021 deve ser de apenas 4%. É a pior performance de crescimento entre as economias emergentes mundiais. Além disso, com os juros baixos, o Brasil não é atrativo para investimentos e tem a segunda bolsa mais cara comparada a dos outros países em desenvolvimento. O país ainda vive uma crise tríplice – sanitária, econômica e política. Essas incertezas afetam negativamente o mercado brasileiro”, destaca.

Preservação do patrimônio

Cavalieri, que atua com gestão de recursos para brasileiros investidores no mercado financeiro internacional, explica que ao redor do mundo observa-se que as questões culturais, sociais e econômicas afetam a transmissão de patrimônio relevante entre as gerações. No caso das famílias que conseguem manter o patrimônio é possível identificar três características principais. A primeira é que elas conhecem seus verdadeiros inimigos: a perda permanente de capital (que pode ser causada por uma crise) e a inflação, considerada uma perda permanente de capital a conta gotas. “Nosso principal trabalho é construir portfólios customizados que minimizem a probabilidade da perda permanente de capital”, destaca.

A segunda característica diz respeito à governança e sucessão familiar. Estas famílias criam estruturas de governança que impedem que o filho, neto, genro ou nora, por exemplo, tenham uma ideia genial e consumam 30% a 40% dos recursos em um projeto. Também há a mudança de estrutura para diminuir o percentual de ganho dos membros familiares levando em consideração a média de três anos. “São mecanismos de sucessão e governança que automatizam a distribuição de ganhos e a forma como o patrimônio está sendo gerido”, observa.

A terceira característica está relacionada aos investimentos globais. Estas famílias que preservam seu patrimônio entre gerações sabem que seus investimentos não estão restritos ao seu país. Investir em moedas de países desenvolvidos é a melhor forma de prevenir a perda permanente de capital. “Construir um patrimônio é muito difícil e pouca gente consegue fazer isso. Mas a habilidade de gerar riqueza é diferente da habilidade de administrá-la. Nosso trabalho é ajudar nossos clientes a perpetuar o capital ao longo dos anos e contribuir para que os membros da família entendam as habilidades necessárias para preservar a riqueza”, acrescenta.

Estratégias para gestão tributária no cenário atual e no pós-crise são debatidas no GoNext Fórum

Estratégias para gestão tributária no cenário atual e no pós-crise são debatidas no GoNext Fórum

A eficiência na gestão tributária é fundamental para qualquer empresa. Em um período de crise como o que o mundo enfrenta hoje, compreender as oportunidades e soluções relacionadas à função fiscal é essencial para manter a liquidez do negócio. Devido à relevância deste assunto, o GoNext Fórum convidou Hadler Martines, sócio da PwC Brasil, para apresentar perspectivas no cenário atual e no pós-crise. Martines é graduado em Direito e Ciências Contábeis, especialista em Direito Tributário, mestre em Administração e diretor do comitê de legislação tributária e empresarial do Instituto Brasileiro de executivos de Finanças (IBEF-PR). 

Para Martines, em um ambiente de profundas incertezas e crise sem precedentes, os empresários devem entender e traçar planos para conduzir a recuperação do negócio. Os desafios que surgiram com a COVID-19 exigem ações imediatas no que diz respeito à gestão tributária. Entre as principais dificuldades estão o gerenciamento das equipes de maneira remota, a continuidade das rotinas e processos das atividades fiscais, o acesso ao tráfego de dados, a conformidade nos prazos de entrega e pagamento de tributos, e o fortalecimento do caixa com as chamadas agendas tributárias. “A área tributária é complexa, conflituosa e cheia de desconfiança tanto das empresas quanto do fisco. Estes desafios podem se transformar em oportunidades para que a função fiscal auxilie efetivamente na recuperação da empresa e na volta à normalidade”, ressaltou.

O especialista explicou que é preciso entender os impactos da crise para se adaptar e se preparar para as disrupções atuais e futuras. Neste contexto, Martines dividiu a crise em três ondas.

Onda 1

Se refere aos 45 primeiros dias da crise e exige respostas imediatas. Neste momento, a liquidez é muito importante e a parte tributária pode ajudar. O empresário deve analisar as opções, verificar se o recolhimento dos impostos faz sentido, se é melhor postergar o pagamento ou se faz a declaração do saldo sem recolhimento. “A principal meta é manter a rotina tributária e, ao mesmo tempo, manter a liquidez do negócio”, enfatizou. 

Entre os pontos a serem observados na primeira onda estão o trabalho remoto, a continuidade e eficiência das atividades, aderência ao compliance, proteção do caixa, captura de créditos fiscais subaproveitados, captação de recursos estruturada em créditos fiscais efetivos ou contingenciais e monitoramento de regras de adiamento de prazos e incentivos adicionais. “Rever os créditos tomados e incentivos usados nos cálculos de tributos é importante para acelerar a quantificação e monetização dos valores, promovendo um caixa extra para a empresa”, observou.

Onda 2

Na segunda onda, que compreende o período entre 45 e 90 dias após a crise, a empresa deve se adaptar à nova realidade. É essencial revisar o perfil de risco fiscal e ajustar as políticas relacionadas diante do “novo normal” estabelecido pela COVID-19.  Também é preciso analisar novos modelos de negócios com maior eficiência fiscal, automatizar processos no conceito de small automation, desenvolver novos modelos para a função fiscal e colocar em prática novas habilidades adquiridas pela equipe. A crise pode ajudar a refletir sobre modelos mais enxutos, flexíveis, escaláveis e com mobilidade. “Este é o momento de reavaliar a matriz tributária junto aos assessores, pois ela pode ser muito conservadora ou muito arrojada”, apontou.

Onda 3

Na terceira onda, consolidada entre 90 e 120 dias após a crise, a empresa deve ter visão de futuro e definir estratégias da função fiscal. Com a retomada dos negócios, o empresário deve ter em mente uma agenda de crescimento, buscar estruturas mais enxutas e automatizadas, e buscar insights relevantes para o negócio. O aprendizado do “novo normal” da função fiscal foi intenso e o processo deve estar mais eficiente, digitalmente capacitado e em um nível estratégico. Os processos de automação podem se tornar mais abrangentes e ter o suporte de tecnologias apropriadas, com a definição de jornadas contínuas de melhorias. 

“A gente entende como tendência o investimento cada vez maior em tecnologia. A automação da parte tributária é importante até para dirimir problemas de falta ou redução de mão de obra e isso demandará que a área tributária faça mais com menos. Uma saída é o investimento em robôs fiscais, que permite a realização de trabalhos que antes eram feitos por uma pessoa. Nessa terceira fase, de expectativa de saída da crise, podem acontecer fusões e aquisições. A previsão é ter um crescimento muito relevante quando o cenário estiver mais estável e muitas empresas podem ser vendidas e incorporadas a outras, especialmente as que passaram por um momento difícil de caixa nestes meses”, acrescentou. 

Medidas adotadas no Brasil

Fernando Socreppa, gerente de consultoria tributária da PwC Brasil, também participou da videoconferência e evidenciou que as medidas tributárias adotadas no Brasil devido à crise da COVID-19 foram tímidas e, no geral, não foram vistos grandes impulsos para ajudar os negócios ou estimular a economia. No geral, as medidas podem ser divididas em três grandes grupos:

– Redução na carga tributária somente de produtos considerados essenciais para o combate da pandemia, como medicamentos, artigos de laboratório e artigos de segurança em hospitais. 

– Dilatação da prorrogação de prazos para o pagamento de determinados tributos e transmissão de algumas obrigações acessórias. 

– Agilidade na importação de mercadorias necessárias para o combate da COVID-19.

“A crítica em relação à prorrogação da entrega das obrigações acessórias e a postergação do pagamento é que, em algum momento, o tributo postergado vai se confundir com o tributo de competência lá na frente. Na prática, a gente não verifica um estímulo dessa medida, mas sim é mais uma conscientização do governo de que muitas empresas não vão conseguir transmitir suas obrigações. No caso do Simples Nacional, as empresas tiveram sim postergação do ICMS federal e estadual, e a crítica que se faz é porque apenas esta categoria foi incluída nesta pauta”, ressaltou Socreppa. 

O gerente ainda afirmou que outras medidas poderiam ser avaliadas pelo governo para auxiliar as empresas, como rever o limite de utilização de prejuízo fiscal, avaliar outras formas de monetização de prejuízo fiscal, reabrir os prazos para venda de créditos de ICMS e criar formas de monetização de créditos tributários acumulados. 

Matriz de riscos

Martines salientou que as organizações necessitam ter uma matriz de risco para avaliar as medidas que devem ser adotadas de maneira imediata e quais serão os resultados. Na prática tributária, o cenário precisa ser reavaliado e a tomada de decisões deve ser feita em conjunto com outros líderes. “Cada empresa tem sua necessidade e terá sua própria matriz de risco. Não é difícil começar. A matriz é uma espécie de mapa com as práticas tributárias adotadas, os riscos, as medidas que devem ser tomadas em relação aos riscos e as pessoas designadas para a tomada de decisões”, explicou.

A matriz deve ser estruturada com base nos impactos financeiros dos procedimentos tributários, que podem resultar em retorno financeiro baixo, médio ou alto, e na chance de êxito em caso de eventual questionamento ou fiscalização, que pode ser baixa ou média de acordo com os entendimentos dos tribunais administrativos e judiciais, e alta considerando recentes decisões e leis. 

Contribuição da área tributária na retomada pós-crise

A função fiscal pode contribuir com a recuperação e manutenção de caixa das empresas ao avaliar as alternativas de redução de tributos, aceleração de uso de créditos fiscais, revisão de posições mais conservadoras sobre os créditos fiscais, aproveitamento de incentivos fiscais ordinários e os criados em bases excepcionais, venda de créditos fiscais e operações de dívida envolvendo créditos fiscais efetivos ou potenciais. 

Na questão jurídica, a organização pode avaliar os principais temas, como o impacto e operacionalização de regimes legais de trabalho durante a pandemia, a extensão de prazos ou benefícios previstos na legislação fiscal e os impactos de negócios que devem ser considerados do ponto de vista de risco jurídico em virtude das condições excepcionais da economia. 

O último ponto que precisa ser avaliado é referente ao uso da tecnologia para automação dos processos fiscais, com redirecionamento de recursos para as atividades mais críticas, como a gestão do encargo tributário como vetor de geração de caixa. Também é necessário identificar como os processos podem ser melhorados e se a equipe está preparada para a utilização das novas ferramentas. “A avaliação deve ser feita de ponta a ponta para verificar o que é possível automatizar. A automação na área tributária pode ter um retorno muito grande para as empresas”, finalizou Martines. 

CEOs e Presidentes de Conselhos debatem o tema “COVID-19 e o dilema gente x governança” no GoNext Fórum

CEOs e Presidentes de Conselhos debatem o tema “COVID-19 e o dilema gente x governança” no GoNext Fórum

A crise provocada pela pandemia da COVID-19 atingiu empresas de praticamente todos os setores e tamanhos. Acima dos negócios, o item mais valioso no mundo corporativo foi diretamente afetado: o capital humano. Consciente da importância do papel das pessoas nas organizações, a GoNext convidou Claudio Garcia, vice-presidente executivo de Estratégia e Desenvolvimento Corporativo da Lee Hecht Harrison – LHH, em Nova York, para falar sobre “COVID-19 e o dilema gente x governança” no GoNext Fórum desta terça-feira (14/04). 

Especialista em Gestão de Negócios e Ciências do Comportamento, Garcia atua há 14 anos na LHH, empresa global com operações em mais de 60 países e referência mundial na gestão de pessoas, e há cinco mora em Nova York, atual epicentro da pandemia do novo coronavírus nos Estados Unidos. Para o convidado, analisar o cenário atual exige entender os horizontes de atuação das organizações quando se fala em inovação. São três:

Horizonte 1: a empresa conhece a necessidade do cliente ou do mercado e tem conhecimento e capacidade para entregar a solução. É possível fazer melhorias nas operações, nos processos e nos serviços para ter mais eficiência. 

Horizonte 2: a necessidade do mercado é conhecida, porém, ainda não existe conhecimento sobre como supri-la. É preciso investir em novos conhecimentos, contratar profissionais e consultorias e adquirir maquinários. A área de necessidade já existe, mas toda a tecnologia envolvida para entregar a solução deve ser desenvolvida. 

Horizonte 3: a necessidade ainda não foi identificada ou não foi explorada. Não existe solução pronta no mercado para solucionar o problema. 

Cada horizonte exige capacidades distintas, e conquistar novas habilidades demanda investimento de tempo, energia e dinheiro. Durante este aprendizado, a produtividade cai em um curto prazo e depois melhora. Para atingir esta maturidade, o empresário deve olhar por várias perspectivas, analisar o custo de aquisição e pensar em alternativas que possibilitem novas escolhas de tecnologia, processos e modelos de operação, desenvolvimento de habilidades profissionais e mudança de mindset

“O modelo Toyota, de melhoria contínua, é um exemplo do horizonte 1. Já a General Electric se encaixa no horizonte 2, pois adquiriu muitas competências com diferentes aquisições. O horizonte 3 pode ser ilustrado pela Uber, uma empresa que ofereceu um serviço melhor e mais barato que o táxi e que, porém, é um negócio insustentável. Além de não ter perspectivas de dar lucro, destrói negócios tradicionais com soluções que não são viáveis. A Amazon também entra neste contexto, pois durante 15 anos foi sustentada com dinheiro de investidores e quebrou muitas varejistas sem ser um negócio viável”, comentou.

Após a crise de 2008, a maioria dos incentivos econômicos favorecem o capital especulativo, criando uma corrida para manter estas operações e justificar seu valor de mercado. “É preciso investir em aproximadamente 250 empresas para que quatro atinjam break-even e uma vire um unicórnio, segundo o consultor Alexander Osterwalder. Na revolução digital, as oportunidades são exponenciais assim como os riscos”, destacou. 

Importância do capital humano para superar a crise

Com a COVID-19, os impactos podem ser sentidos no presente e no futuro. Poucas empresas vão vencer este período, muitos balanços já estão fragilizados e a desigualdade vai aumentar ainda mais. Por isso, as companhias devem “simplificar o formal e fortalecer o informal” para superar a crise, ou seja: colocar pessoas com pensamentos diferentes para estimular o negócio e buscar novas respostas para os problemas. “A polarização política, a vulnerabilidade social e a violência são coisas que estavam acontecendo antes da pandemia, mas estavam mascaradas. Agora, a única certeza que temos é que a desigualdade vai aumentar, podendo chegar a níveis vistos antes da Segunda Guerra Mundial. Afinal, é mais fácil os poucos ricos conservarem dinheiro do que a população mais pobre. Não quero ser pessimista, mas sim realista. E no passado a desigualdade causou guerras ou revoluções, então precisamos estar atentos”, orientou. 

As políticas públicas implementadas para conter a disseminação do novo coronavírus mostram que é preciso fazer sacrifícios agora para ter benefícios no futuro. “Muitos empresários têm dificuldade de pensar a longo prazo, mas é necessário. Não dá para querer ser competitivo agora, o negócio é sobreviver”, enfatizou. Garcia ressaltou que é difícil prever o que vai acontecer após a crise, mas a expectativa é que surja um “novo normal” com a criação de novos hábitos. Quem não utilizava delivery, por exemplo, passou a usar e a ver os benefícios. 

“Muitas coisas de diferentes setores vão mudar. É hora de aproveitar as dinâmicas que estão acontecendo para criar modelos de negócios que atendam as demandas lá na frente. As coisas mudam todos os dias e você tem que agir enquanto continua andando. Não é desenhar a estratégia, é fazer a estratégia. Isso muda completamente a forma de gestão de pessoas. É preciso maturidade para ter cabeças que pensam diferente de você. E as pessoas têm que vir antes das decisões de negócios para possibilitar a capacidade de repensar o que está acontecendo”, explicou.

Ao ampliar a capacidade de se repensar, é possível reduzir os custos do aprendizado. Os conselhos, por exemplo, devem analisar se possuem os talentos necessários para serem parceiros nas discussões. “Tem tudo a ver com a capacidade e a diversidade do capital humano. Os conselheiros têm que ter pensamentos distintos para as empresas não pensarem todas iguais. Essa é uma crítica constante que eu escuto em relação ao Brasil, por isso é fundamental investir na diversidade”, finalizou.

GoNext Fórum promove debate sobre os impactos da COVID-19 no cenário econômico global e as perspectivas para o período pós-crise

GoNext Fórum promove debate sobre os impactos da COVID-19 no cenário econômico global e as perspectivas para o período pós-crise

Nesta quarta-feira (08), o GoNext Fórum reuniu mais uma vez CEOs e presidentes de conselhos para debater um tema fundamental para as empresas em meio à crise da COVID-19: os impactos no cenários econômicos local e global. O convidado da videoconferência foi Marco Caruso, economista, doutorando em Economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e estrategista chefe do Bradesco Private Bank. Além de apresentar dados e comparar o momento atual com as últimas crises econômicas – a que afetou principalmente os Estados Unidos em 2008 e a que aconteceu em 2011 na Europa –, Caruso ainda analisou as perspectivas no período pós-crise

O especialista destacou que a crise do novo coronavírus foi súbita e surpreendeu a todos, já que ninguém consegue prever que um vírus seja capaz de parar a economia global em tão pouco tempo. Para ele, um fato positivo é que esta condição tem data para acabar. “A crise é de saúde, ainda não é financeira. Por ter origem na questão da saúde pública, ela tem hora para acabar, seja por conta da descoberta de tratamentos eficazes ou pelo fim da quarentena. Só não sabemos quando irá terminar. O impacto é forte, mas é temporário. A crise de 2008, por exemplo, não era uma parada temporária, era mais duradoura”, afirmou. 

No contexto global, a disseminação da COVID-19 ampliou as incertezas, o que resultou em grandes revisões do Produto Interno Bruto (PIB) dos países. A reação do mercado financeiro foi a mais rápida da história e, apesar de ser uma recessão global profunda, a previsão é que seja de curta duração. As quarentenas irão impactar significativamente a atividade global, porém, as características desta crise somadas ao efeito base sugerem uma aceleração em 2021. “O PIB mundial deve ficar negativo neste ano. Entretanto, as estimativas para o ano que vem são de crescimento maior do que estava previsto antes do surgimento da COVID-19. Muitas vezes no olho do furacão, como estamos agora, a tendência é achar que o futuro será igual ao presente. Mas todos os números de 2021 estão sendo revistos para cima, pois depois de um ano ruim não será preciso fazer muito esforço para crescer”, comentou.  

O economista observou que os bancos centrais pelo mundo agiram rapidamente e a postura foi de corte de juros e injeção de liquidez no mercado a partir da compra de títulos públicos e privados. As medidas são resultado dos aprendizados obtidos com as crises de 2008 (EUA) e 2011 (Europa). “Só em março, os bancos centrais injetaram US$ 1,5 trilhão na economia. Mesmo que tenhamos uma visão ruim para 2020, devemos levar em consideração que a disseminação do vírus e a quarentena vão acabar. No fim, teremos uma enxurrada de liquidez e a possibilidade de um crescimento mais forte em 2021 para repor o que foi perdido. Outro ponto interessante é que os governos perderam o pudor em termos de gastos. A Alemanha, que é um país extremamente austero, aumentou bastante o impulso fiscal e deve gastar mais e/ou reduzir impostos em um percentual de cerca de 4% do PIB alemão”, apontou. 

Outros governos ao redor do mundo também estão apostando em estímulos monetários e políticas fiscais para estabilizar o crédito e a economia. Segundo Caruso, é uma crise de saúde e não há tempo para teorias, porque não faz sentido politicamente nem humanamente. Por isso, os poderes públicos estão agindo rapidamente. “Para a pandemia não se transformar em uma crise de crédito, é fundamental dar suporte às empresas e aos trabalhadores. Não é possível dizer que o pior ficou para trás, pois é necessário encontrar uma solução para o vírus e ter confiança para encerrar a quarentena, ou seja, é preciso reduzir significativamente os casos ativos da doença. Todos os países estão usando o padrão da China, pois tudo aconteceu primeiro lá. Agora o epicentro da preocupação são os Estados Unidos, país que ainda não alcançou o pico de casos. A redução dos casos não é suficiente para a normalização, mas é essencial”, esclareceu.

Em relação ao Brasil, o economista acredita que a quarentena ainda vai continuar por algumas semanas, afetando o PIB, que deverá ser em torno de 3% ou 4% negativo. Apesar da alta desvalorização do câmbio e da queda no preço das commodities, a crise é desinflacionária. Caruso explicou que a demanda não vai aguentar a reposição de preço e a inflação vai cair. Além disso, os gastos públicos irão aumentar ainda mais. “O Brasil estava começando a se organizar. Ele já é muito endividado publicamente. Antes da crise, a dívida era de aproximadamente 75% do PIB, e agora pode se encaminhar para 85%. A recuperação depende de um fator essencial: as despesas têm que ser vinculadas à crise, que não pode passar muito de 2020. Com o fim deste período, deve-se enxugar as despesas e retomar o ajuste fiscal”, pontuou. 

Mesmo sendo profunda, o especialista considera que a recessão é passageira e terá uma recuperação duradoura, com longo período de aceleração da economia, se os gastos públicos ficarem restritos a este ano e o ajuste fiscal acontecer. “A crise de crédito é o principal risco. Vamos superar a crise, mas de forma desigual. Setores ligados ao lazer, turismo e serviços vão demorar a se recuperar. Eu arrisco a dizer que a indústria conseguirá uma recuperação mais rápida. Mas, de uma forma geral, a retomada terá uma velocidade um pouco mais lenta”, acrescentou.