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Especialistas falam sobre cenário econômico mundial e a preservação do patrimônio no GoNext Fórum

Especialistas falam sobre cenário econômico mundial e a preservação do patrimônio no GoNext Fórum

A preservação do patrimônio depende, entre outros fatores, da análise da economia global. Em meio a uma crise, como a atual, analisar as perspectivas da economia é ainda mais importante para minimizar os riscos de perda permanente do patrimônio e garantir sua perpetuação ao longo dos anos. Dada a importância do tema, o GoNext Fórum convidou Rafael Cavalieri, vice-presidente do Private Wealth Management da Goldman Sachs, em Miami, e Matheus Dibo, vice-presidente do Investment Strategy Group (ISG), em Nova York, para um debate com os CEOs e presidentes de conselho.

Dibo, especialista em oportunidades de investimentos em ações de países emergentes, fez uma análise da economia mundial e destacou principalmente o cenário dos Estados Unidos e do Brasil. Para entender o contexto atual, Dibo explicou que a Europa deixou de ser o epicentro da pandemia da COVID-19 devido a eficácia das políticas públicas implementadas para conter o avanço da doença.

Nos EUA, o número de casos tem aumentado, entretanto, o de mortes não apresenta crescimento. Isso se deve ao fato do aumento da testagem na população, do contágio afetar a população jovem, que é mais resistente ao vírus, e o preparo de médicos e hospitais que já enfrentam o problema há quase seis meses. Enquanto o número de mortes não aumentar, o risco de medidas de restrição é menor. Mesmo assim, é um risco que deve ser monitorado de perto.

Em relação aos países emergentes, apesar da demora em serem afetados, o crescimento do número de casos continua. A grande preocupação é que a capacidade destas regiões para lidar com a pandemia é muito menor comparada a dos países desenvolvidos.

Recuperação econômica

O processo de recuperação econômica dos EUA tem sido gradual. Segundo Dibo, o impacto da crise é persistente na economia americana e a expectativa é que seja dissipado em 2022. A queda de 33% nas atividades econômicas é sem precedentes na história do país, por isso a recuperação do segundo semestre não é suficiente para compensar os resultados negativos do primeiro semestre, sendo que a previsão é de uma contração de 4,2%.

Graças às políticas fiscais adotadas pelo governo e as ações monetárias realizadas pelo Banco Central, ambas consideradas agressivas principalmente por ações como injeção de liquidez para repor a perda de renda, empréstimos que não precisam ser pagos já e corte de juros, a economia americana irá se recuperar de uma forma saudável.

“A expectativa de contração na economia mundial é de 3,4% este ano. No âmbito global estamos falando de mais de 6% do PIB mundial em estímulos fiscais para ajudar a conter os impactos negativos da crise. No curto prazo evita uma contração ainda maior da atividade econômica e a longo prazo aumenta a dívida, é uma faca de dois gumes”, destaca.

Cenário brasileiro

Dibo observa que a expectativa para o PIB brasileiro é uma contração de 7,7%, voltado a um patamar menor do que o registrado em 2010. “Infelizmente é uma década perdida. A recuperação em 2021 deve ser de apenas 4%. É a pior performance de crescimento entre as economias emergentes mundiais. Além disso, com os juros baixos, o Brasil não é atrativo para investimentos e tem a segunda bolsa mais cara comparada a dos outros países em desenvolvimento. O país ainda vive uma crise tríplice – sanitária, econômica e política. Essas incertezas afetam negativamente o mercado brasileiro”, destaca.

Preservação do patrimônio

Cavalieri, que atua com gestão de recursos para brasileiros investidores no mercado financeiro internacional, explica que ao redor do mundo observa-se que as questões culturais, sociais e econômicas afetam a transmissão de patrimônio relevante entre as gerações. No caso das famílias que conseguem manter o patrimônio é possível identificar três características principais. A primeira é que elas conhecem seus verdadeiros inimigos: a perda permanente de capital (que pode ser causada por uma crise) e a inflação, considerada uma perda permanente de capital a conta gotas. “Nosso principal trabalho é construir portfólios customizados que minimizem a probabilidade da perda permanente de capital”, destaca.

A segunda característica diz respeito à governança e sucessão familiar. Estas famílias criam estruturas de governança que impedem que o filho, neto, genro ou nora, por exemplo, tenham uma ideia genial e consumam 30% a 40% dos recursos em um projeto. Também há a mudança de estrutura para diminuir o percentual de ganho dos membros familiares levando em consideração a média de três anos. “São mecanismos de sucessão e governança que automatizam a distribuição de ganhos e a forma como o patrimônio está sendo gerido”, observa.

A terceira característica está relacionada aos investimentos globais. Estas famílias que preservam seu patrimônio entre gerações sabem que seus investimentos não estão restritos ao seu país. Investir em moedas de países desenvolvidos é a melhor forma de prevenir a perda permanente de capital. “Construir um patrimônio é muito difícil e pouca gente consegue fazer isso. Mas a habilidade de gerar riqueza é diferente da habilidade de administrá-la. Nosso trabalho é ajudar nossos clientes a perpetuar o capital ao longo dos anos e contribuir para que os membros da família entendam as habilidades necessárias para preservar a riqueza”, acrescenta.