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Como despertar a mentalidade empresarial do século XXI

Nesta quinta-feira, 15, a GoNext Governança & Sucessão realizou a segunda edição do fórum GoNext Herdeiros & Sucessores, com a participação do professor e pesquisador Marcos Cavalcanti (COPPE/UFRJ). O tema central do encontro foi “Os Desafios da Competitividade do século XXI”, apresentando aos futuros líderes empresariais ferramentas e áreas do conhecimento indutoras de novas competências e sensibilidade para compreender o agora e planejar o futuro.

 

“Estamos com os pés no século XXI, mas nossa maneira de pensar e ver o mundo ainda está no século passado”, disse Cavalcanti, apresentando os claros sinais da digitalização da economia e transformação ágil do ambiente de negócios. Movimentos que foram acelerados pelo “fator-pandemia”.

 

O palestrante é coordenador do CRIE (Centro de Referência em Inteligência Empresarial), fundador e membro do Board do “The New Club of Paris”, espaço global de debate sobre economia do conhecimento e transformação social, e professor convidado da Rutgers University (Nova Jersey, EUA). 

 

Um dos mais objetivos sinais de transformação, como apresentado pelo pesquisador, é o que entendemos por valor de mercado. A essência da economia não é mais industrial ou agropecuária.

 

“O Google vale 30 vezes mais que a Petrobras. Sem oleodutos, sem parques gigantes, sem prédio administrativo, sem patrimônios imensos. A arquitetura das empresas está mudando. E essa mudança não é sobre fazer mais e melhor o que já fazíamos. É sobre fazer diferente. E não só fazer diferente porque o diferente é legal, mas porque a gente precisa fazer diferente. Nós não estamos na era das mudanças, vivemos uma mudança de era”, explanou Marcos Cavalcanti.

 

Superamos a mentalidade industrial. Um mundo que ficou para trás e que agora coloca maior valor no intangível. Os serviços superam, em número, performance e valor, os produtos. Então, como tornar-se fluente nesta nova linguagem empresarial, atuando em qualquer segmento ou empresas de qualquer porte? 

 

Ajustando a visão para as redes e para os dados

As medidas que tiveram impacto no emprego, na renda e na economia não operam com o mesmo impacto hoje. “Serviços são 70% do PIB brasileiro. É um mundo radicalmente diferente de 10 anos atrás. As 10 maiores empresas do mundo não são indústrias”, provocou Cavalcanti. 

 

“Herdeiros e sucessores precisam entender que o mundo já é radicalmente diferente. Confiem na sensibilidade de vocês para compreender que os vencedores do mercado serão as empresas que souberem trabalhar com a rede e com os dados”, explicou.

 

No ambiente de negócios, o conhecimento é o principal fator de produção e compartilhar conhecimento gera cada vez mais informações valiosas. “Agora, na era dos dados, você pode perguntar ao seu cliente qual é a necessidade dele hoje. É neste momento que você deve ficar bom em resolver problemas. E resolução de problemas não é uma coisa que se decora, é uma competência que se exercita dia a dia”, orientou o professor e pesquisador da UFRJ.

 

A sensibilidade para ler e interpretar as oportunidades das conexões digitais e tecnológicas vai fazer mais pelo futuro das empresas familiares do que os diplomas e certificados na parede dos escritórios da alta gestão.

 

 

Dataficação para resolver problemas

3,8 milhões de brasileiros têm nos apps a sua principal fonte de renda hoje. Isso parece um fenômeno passageiro para você? As lideranças mais resistentes às transformações essenciais podem começar a quebrar essa mentalidade aproveitando o conceito da dataficação.

 

“Os dados não falam por si só. Eles só dizem algo relevante diante de um problema que você quer resolver. A dataficação é transformar tudo em dados, o que tem transformado a experiência de empresas em diversos segmentos. Agora, eu sei quem é meu cliente, onde ele mora, com que frequência ele compra qual produto”, explicou Cavalcanti.

 

O pesquisador apresentou cases de diferentes segmentos, como o de restaurantes, imobiliário e outras experiências de como encontrar oportunidades juntos aos dados dos clientes.

 

“Um bom jeito de identificar problemas é se perguntar: quais dados que você tem que podem ter valor para outros e quais são os dados de valor que você ainda não tem. Exercite essa mentalidade. O bom gestor do século XXI tem que ser um cara com disposição para aprender, ajustar as lentes do óculos e estar disposto a fazer a diferença”, provocou.

 

Ao final do encontro, Marcos Cavalcanti compartilhou o trecho do poema de Fernando Pessoa, “Navegar é preciso. Viver não é preciso”. A palavra “preciso”, seguindo uma nova linha de interpretação, pode referir-se mais à “precisão” do que à “necessidade”. 

 

Ou seja, navegar é matematicamente preciso (com bússola, tecnologias). Já a experiência dessa navegação, a vida, é imprecisa, flexível, volátil. Assim são os negócios. Tecnologias e dados são muito capazes de orientar suas direções. Mas é preciso que os líderes do futuro se acostumem com a imprecisão dessa jornada, que precisa ser reinventada constantemente. 

 

É nesta mentalidade que a competitividade ganha contornos mais claros e objetivos hoje e no futuro. “E tenham certeza de que a governança é chave para isso”, finalizou.

 

GoNext Herdeiros & Sucessores

O novo fórum lançado pela GoNext Governança & Sucessão é resultado de mais de 10 anos de experiência acompanhando a trajetória das famílias empresárias.

 

Herdeiros de empresas familiares ou sucessores da gestão agora contam com um espaço exclusivo para conhecer e elaborar temas relevantes, criar network qualificado, ser mentorado em seus projetos e aspirações, além de poder identificar, de forma constante, as oportunidades reais de construir um futuro sólido para o legado de suas empresas.