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O fim da “Era Bezos” na Amazon: o que traz o sucessor?

O fim da Era Bezos na Amazon

Artigo do Gilson Teodoro Faust, diretor e consultor sênior da GoNext

 

“Se você só faz coisas que sabe a resposta com antecedência, sua empresa vai embora.”

Jeff Bezos

 

A foto que ilustra este artigo está no arquivo da Amazon, catalogada como o primeiro escritório da empresa. A gigante de tecnologia nunca teve um só dia sem Jeff Bezos como CEO na trajetória do microescritório até atingir mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado.

 

No próximo dia 5 de julho isso muda. No mesmo dia em que a Amazon completa 27 anos, Jeff Bezos deixa o posto de CEO da empresa, passando o bastão ao sucessor da gestão Andy Jassy.

Mas quem é Andy e por que a sucessão tomou este rumo?

 

Jassy lidera a Amazon Web Services (AWS), divisão de computação em nuvem da companhia. Abaixo, apresento dois pontos que se relacionam às boas práticas de governança na escolha de um bom sucessor na gestão:

 

Jassy está “por dentro” de tudo que agregou valor à empresa

Em 2006, Jassy ajudou a Amazon a fundar a AWS. Mas o profissional já trabalhava na Amazon desde 1997.

 

Quando entrou na empresa, trouxe um MBA em marketing na Harvard Business School, e foi peça-chave para impulsionar a ambição da Amazon de ir além da ideia de e-commerce de livros.

 

Na Amazon, ele foi de assistente técnico de Bezos a fundador e líder da Amazon Web Services. Hoje, a AWS detém 33% do mercado de computação em nuvem, segundo estudo da Synergy Research.

 

Andy tem voz ativa em questões frágeis na imagem de Bezos

A imagem pública de Bezos tem um extenso histórico de fragilidades, que vão desde os debates sobre questões trabalhistas da Amazon até o desenvolvimento de legislações antitruste nos EUA para empresas de tecnologia.

 

Na última semana, inclusive, Bezos foi notícia em todo o mundo por causa de um abaixo-assinado para não permitir que ele retorne ao planeta Terra após sua primeira viagem ao espaço, que está marcada para dia 20 de julho. A “piada” já conta com mais de 109 mil assinaturas.

 

Jassy é discreto e pouco visto em eventos em nome da Amazon. Mas as diferenças dele para Bezos não param por aí. 

 

Andy usa sua conta no Twitter com frequência, e sempre toca em questões sociais estadunidenses, como injustiça racial, violência policial, causas LGBTQIA+ e reformas nas leis de imigração.

 

Mas esses dois pontos são o bastante para diminuir a desconfiança na troca de CEO? 

 

Ainda não podemos dizer. Geralmente, as saídas de CEOs com longa trajetória no cargo costumam ser recebidas de forma fria pelos stakeholders. Apple e Google, por exemplo, tiveram experiências recentes neste sentido.

 

Em breve, o bastão da gestão chega nas mãos de Jassy, que terá a missão de impulsionar o desenvolvimento da Amazon não só na AWS, mas em todas suas frentes: varejo, inteligência artificial e streaming de vídeo.

 

Jeff Bezos estará na cadeira de presidente do Conselho de Administração (CAD) da Amazon e, sem dúvida, será fundamental para que Andy não sucumba diante dos primeiros desafios enfrentados.

 

Paralelamente com a função de presidente do CAD, Bezos seguirá empreendendo na área de exploração espacial, com a Blue Origins, e como dono do The Washington Post, empresa de notícias que comprou em 2013.

 

Os movimentos da Amazon em relação à composição de lideranças mostram que até para se assumir riscos, e apostar sem saber qual resposta virá, as estruturas de Governança Corporativa são essenciais.

 

Foto: Arquivo/Amazon