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Cinema ajuda empresários a entender a realidade digital

Cinema ajuda empresários a entender a realidade digital

Já pensou em assistir um filme e entender sobre assuntos como inovação disruptiva, inteligência artificial, blockchain e cyber security? Além de ser possível, é uma forma leve de analisar como as empresas podem se adaptar à nova realidade on-line, como mostra o digital thinker Edison Carmagnani Filho em seu livro “A Startup vai ao cinema”, lançamento da Dobradura Editorial. No GoNext Fórum temático da última terça-feira (09), Filho, que também é advogado, DPO, escritor, professor convidado na Fundação Dom Cabral e sócio proprietário do escritório paulista LFPKC Advogados, apresentou a obra, comentou os principais filmes abordados no livro e provocou os CEOs e Presidentes de Conselhos a pensarem sobre inovação e mundo digital no cenário corporativo a partir do ponto de vista da indústria cinematográfica

Hoje, a internet faz parte da sociedade e já conecta 3,5 bilhões de pessoas, sendo que a previsão até 2025 é que 6 bilhões estejam conectadas. Os smartphones mudaram a história da humanidade, além de existir máquinas com enorme capacidade de processamento computacional e armazenamento de informações. “Tecnologias que estavam em desenvolvimento há décadas eclodiram quase que simultaneamente, como as impressoras 3D, nanotecnologia, computação quântica e sensores utilizados na internet das coisas. Neste contexto, as startups vêm devastando as empresas calcadas em regras rígidas e manuais de controles de governança corporativa obsoletos”, afirma.

Para o advogado, o propósito do livro é mostrar como o cinema é capaz de ajudar na compreensão de um universo tão complexo que é o digital. “O digital business tem vários vetores, questões organizacionais, mindset, segurança, e os filmes trazem bagagem para se posicionar. Vale a pena ver os filmes porque é uma forma lúdica de ter mais conhecimento de assuntos mais difíceis como o blockchain. No livro, eu procuro explicar o que é cada cenário”, esclarece. 

Confira os filmes que o digital thinker abordou no GoNext Fórum

Jobs

Filho explica que a inovação pode ser incremental (processo de melhoria contínua, sustentação para o que já existe) ou disruptiva (ruptura do negócio tradicional). “A Serasa Experian, por exemplo, é um negócio tradicional, que usa os dados das pessoas físicas e busca informações sobre crédito. Ela investiu na Serasa Datalab, que inovou e passou a usar dados do celular pessoal do usuário, como GPS, para traçar seu perfil. Sobre inovação disruptiva, acho incrível a história de Steve Jobs, pois ele não agregou valor, ele criou valor, trazendo revoluções. Vale a pena ver o filme”, comenta. 

2001 – Odisseia no espaço

Amado por uns e odiado por outros, “2001 – Uma odisseia no espaço” apresenta o início da era humana e vai para o futuro, no ano de 2001. Filho destaca que o grande personagem é o computador  HAL, responsável por comandar os astronautas. A máquina é representada de forma humanizada, enquanto os astronautas parecem ser robotizados. “O filme é interessante se pensado pela ótica do machine learning, que evolui para inteligência artificial. Uma das cenas mais interessantes é quando os astronautas desligam o som para o computador não ouvir o que estão falando, mas a máquina consegue fazer leitura labial, mesma tecnologia usada pela Netflix para legendar filmes”, ressalta. 

A rede

Estrelado por Sandra Bullock, A rede tem sua trama baseada na perseguição da personagem principal, que recebeu um disquete com um programa de proteção da Casa Branca e teve seus dados alterados no Big Data. “O filme antecede a criação do Big Data, sistema que permite milhões de análises e tem diferentes entradas, como e-mails, vídeos e redes sociais. Também é possível entender sobre Data Science, que possui dados estruturados e não estruturados. Saber utilizar estas informações no seu negócio é essencial para gerar valor. Assistir a esse filme é uma forma lúdica de estudar estes assuntos”, observa. 

Hacker

O filme é baseado em uma invasão hacker que ocorreu em 2010 em computadores que gerenciavam as usinas nucleares do Irã, gerando pânico mundial. Na trama cinematográfica, o mercado financeiro americano é alvo dos hackers. “A internet possui três níveis, a surface web (internet normal), a deep web (nível de criptografia grande para garantir mais segurança a operações bancárias, por exemplo) e a dark web (plataforma de produtos ilegais). No filme é possível compreender a importância do grau de segurança que as empresas precisam investir para proteger os seus dados e as informações as quais têm acesso. E este investimento também será necessário por causa da lei geral de proteção de dados”, alerta. 

Privacidade Hackeada

Este é outro filme importante para entender o universo do cyber security. “Temos um universo de empresas que ainda não têm consciência da necessidade de proteger dados, principalmente os da pessoa física. Todos vão ter que arrumar a casa, saber onde estão os dados, o que é obrigação legal, quais informações são para a própria operação. É um trabalho complexo. O Privacidade Hackeada serve de pano de fundo para o tema da lei geral de proteção de dados”, destaca.

The Jetsons, o filme

O desenho, apesar de ser de 1962, mostra muitos aspectos da realidade atual. Videoconferência, robô limpando a casa, taxidrone, internet das coisas, automatização e smart city são alguns exemplos do que existe no mundo e parecia apenas imaginação quando o filme surgiu. “O que eles erraram é que tinha botão pra tudo e hoje tem touchscreen. No livro, eu faço um paralelo entre o que tem nos Jetsons e o que existe hoje. É uma ótima opção para assistir com os filhos e netos e fazer comparações”, recomenda.

Banco ou Bitcoin

O filme, disponível na Netflix, aborda o blockchain, livro de registros público onde ficam armazenadas todas as transações efetuadas utilizando criptomoedas. “O blockchain ficou muito ligado à moeda, mas o mais importante é a rastreabilidade. O banco, que sempre centralizou os dados, perde a sua essência. Essa é uma ferramenta fantástica, que permite rastrear toda a cadeia de ponta a ponta, reduzindo as possibilidades de fraude. Este filme é uma aula sobre blockchain”, acrescenta. 

Eis os delírios do mundo conectado

O documentário, lançado pela Netflix em 2016, apresenta uma análise detalhada sobre a origem e os impactos da internet na sociedade contemporânea. Também faz uma análise sociológica e provocativa sobre os limites e as fronteiras da internet em um mundo que passa o tempo todo conectado. “É uma reflexão sobre a ética e o mundo digital. Mostra o lado positivo da internet e também o dark side, como fake news, crianças bombardeadas com segunda identidade, cyber bulling e depressão”, comenta. 

Quanto tempo o tempo tem

Este filme é interessante para entender mais sobre como funcionam as organizações exponenciais, como as startups, que baseiam sua atuação em modelos de negócio escalonáveis, ou seja, que podem ser reproduzidos repetidamente em grande quantidade e com alto ganho de produtividade. “Acompanhar essa velocidade é fundamental para quem está na área de gestão, atua em conselhos ou é um executivo. É preciso saber o timing e a modelagem da empresa. O Google, por exemplo, é extremamente ágil, diferente de uma organização tradicional, que pensa de forma linear. Lamentavelmente não temos tempo de pensar em digital business, mas é isso que vai movimentar o mercado. Se as organizações forem restritas a este movimento, vão virar pó”, finaliza.