Governança como gargalo: quando a estrutura trava o crescimento

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Por Eduardo Valério

Empresas familiares, em geral, costumam errar a governança corporativa de duas formas. A primeira: constroem estruturas simples demais, que funcionam por alguns anos e começam a criar fricção conforme a empresa cresce, o número de sócios aumenta e novas gerações entram na equação. A segunda: copiam modelos de grandes grupos, constroem estruturas complexas demais para o seu momento e acabam com uma governança que ninguém consegue fazer funcionar no dia a dia. As reuniões rareiam, os órgãos ficam vazios e o processo perde força antes de produzir resultado.

O que os dois erros têm em comum é mais revelador do que as diferenças: em ambos os casos, a governança foi construída para o que a empresa era, não para o que ela estava se tornando. Esse é o problema central de uma estrutura que não escala. A ausência de instrumentos limita a perspectiva de futuro na hora de defini-los.

Governança escalável começa no diagnóstico. Em uma empresa em crescimento, além de mapear o momento atual, é necessário mapear a estratégia de crescimento, a evolução esperada da estrutura familiar e societária e as competências que a gestão vai precisar desenvolver nos próximos anos. A partir dessas premissas é que se define quais instrumentos e órgãos fazem sentido constituir agora, quais podem ser desenvolvidos em etapas posteriores e qual ritmo de implantação é sustentável para aquela realidade específica. A governança que resulta desse processo é desenhada para aquela empresa, naquele momento, com olho no que ela vai ser.

A lógica é direta: uma estrutura subdimensionada trava antes de proteger. Uma superdimensionada gera custo sem gerar governança. A que funciona é a que foi calibrada para o momento e projetada para o crescimento, de acordo com o seu Planejamento Estratégico

Nos projetos que conduzimos em empresas familiares, essa distinção tem impacto direto na durabilidade do processo. Uma governança construída com perspectiva de futuro dura e evolui com a empresa. Enquanto, a que é construída apenas para o presente precisa ser reformulada exatamente quando o negócio está mais ocupado e menos disponível para esse tipo de trabalho.

Governança que não respeita o momento da empresa não funciona. No entanto, a que não considera o futuro da empresa envelhece antes do tempo.

A pergunta que toda empresa em crescimento deveria fazer antes de estruturar sua governança não é “o que precisamos agora?”. É “o que vamos precisar quando dobrarmos de tamanho, e o que precisa ser construído antes de chegar lá?”

Eduardo Valério, Fundador e Presidente do Conselho da GoNext

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